Lee Jin-man/AP Photo
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Mercados internacionais fecham em baixa com eleição nos EUA e 2ª onda de covid-19

Prorrogação da covid-19, principalmente na Europa e nos EUA, desencorajou investidores das principais economias do mundo a comprar ações nesta semana

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 30 de outubro de 2020 | 17h51

As Bolsas da Ásia e de Nova York fecharam em baixa generalizada nesta sexta-feira, 30, numa semana marcada por temores com o avanço da covid-19 pelo mundo e por ansiedade antes da eleição presidencial nos Estados Unidos. Já na Europa, os índices ficaram sem sinal único, apesar do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro para o terceiro trimestre vir acima do esperado, com alta de 12,7%.

A propagação da covid-19, principalmente na Europa e nos EUA, desencorajou investidores a comprarem ações nesta semana, marcada pela forte aversão aos ativos de risco. França, Alemanha, Bélgica e diversos outros países voltaram a impor medidas de restrição à circulação de pessoas para conter a disseminação da doença. Nos Estados Unidos, só ontem foram registrados quase 90 mil diagnósticos do vírus, o maior número diário desde o início da pandemia.

Outro fator que vem comprometendo o apetite por risco é a eleição presidencial americana, que está marcada para terça-feira, 3, com estados como FlóridaCarolina do NorteOhio e Georgia, mostrando disputa apertada entre Joe Biden e Donald Trump. Embora Biden, do Partido Democrata apareça com larga vantagem nas pesquisas eleitorais, há o temor de que o resultado fique indefinido por conta das disputas judiciais a respeito da contagem dos votos por correio, uma vez que o próprio Trump já disse que não aceitará uma eventual derrota nas urnas e que irá questionar o resultado na Justiça, caso seu oponente ganhe.

Ainda hoje, os estrategistas do NatWest observam que a cautela do mercado nesta sexta é redobrada também porque, na próxima semana, além das eleições americanas na terça-feira, haverá agenda carregada de indicadores, incluindo o relatório de emprego (payroll) de outubro. Também terá reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que poderá atualizar o cenário econômico em meio aos casos crescentes de coronavírus.

Bolsas da Ásia 

O índice acionário japonês Nikkei caiu 1,52% em Tóquio, enquanto o Hang Seng recuou 1,95% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi sofreu queda de 2,56% em Seul e o Taiex apresentou baixa de 0,92% em Taiwan.

Na China continental, os mercados também ficaram no vermelho, interrompendo uma sequência de três pregões de ganhos. O Xangai Composto caiu 1,47% - registrando sua maior perda diária em mais de um mês, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 2,29%. Na quinta, líderes chineses aprovaram um novo plano econômico para o período de 2021 a 2025, após concluírem reunião de quatro dias.Na Oceania, a Bolsa australiana seguiu o mau humor da Ásia, e o S&P/ASX 200 caiu 0,55% em Sydney

Bolsas da Europa 

As notícias positivas desta sexta não foram o bastante para sustentar os ganhos dos índices europeus, que ficaram sem sinal único. Hoje, o PIB da zona do euro cresceu 12,7% no terceiro trimestre, número que veio acima dos 9,4% estimados pelos analistas consultados pelo The Wall Street Journal. Já as atividades da França, Espanha, Alemanha e Itália tiveram saltos de 18,2%, 16,7%, 8,2% e 16,1% cada.

Ainda na última quinta-feira, 29, o Banco Central Europeu sinalizou com a possibilidade de aumentar as medidas de estímulo na economia europeia. Com isso, o Stoxx 600 fechou com alta de 0,18%, mas Londres caiu 0,08% e Frankfurt recuou 0,36%. Milão, Madri e Paris tiveram altas de 0,40%, 0,63% e 0,54%. Com a ajuda das ações do setor financeiro, Lisboa teve forte alta de 2,12%.

Bolsas de Nova York

Além da tensão pré-eleição e as preocupações com o coronavírus, as bolsas de Nova York fecharam em queda hoje, pressionadas pela liquidação de ações de grandes empresas de tecnologia, que divulgaram balanços corporativos decepcionantes. As ações  de Apple (-5,60%), Facebook (-6,31%) e Amazon (-5,45%) apareceram como destaques negativos. Embora tenham divulgado resultados acima do esperado no terceiro trimestre, as techs sinalizaram um ambiente de dificuldades para os três últimos meses do ano, o que desagradou investidores. O papel do Twitter despencou 21,11%, após a rede social revelar que o número de novos usuários desacelerou entre julho e setembro.

Dow Jones encerrou em baixa de 0,59%, com perda semanal de 6,47%. O S&P 500 cedeu 1,21%, em nível 5,64% menor que na última semana feira. Já o Nasdaq recuou 2,45%, caindo 5,51% na semana. Na comparação mensal, os índices acionários registraram perdas de 4,60%, 2,76% e 2,29%, respectivamente. No caso do Dow Jones, foi a maior queda mensal desde março.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda hoje, no menor valor em cinco meses, em meio aos temores de que a nova onda de casos de coronavírus ameaça a recuperação da demanda global e também de olho nas eleições americanas. O WTI para dezembro caiu 1,05%, a US$ 35,79, com tombo de 10,2% na semana. Já o Brent para o mesmo mês recuou 0,84%, a US$ 41,77 o barril, com baixa semanal de 9,17%. Ambos os contratos estão nos menores níveis desde maio.

O endurecimento das quarentenas nos países europeus colocou pressão sobre a commodity. Para o Commerzbank, esse quadro deve forçar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, junto com aliados (Opep+), a tomar medidas na reunião de novembro. "Qualquer ação que o cartel tomar provavelmente falhará, contudo. Anunciar que o corte voluntário na produção permanecerá em vigor teria pouco impacto em face da demanda persistentemente fraca e do sentimento negativo", pondera./ COLABORARAM MAIARA SANTIAGO E ANDRÉ MARINHO

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