Com elevação, Selic volta ao patamar de março de 2009

Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando de Alexandre Tombini no Banco Central, a taxa Selic retoma o patamar de março de 2009, em 11,25% ao ano, quando a política monetária estava em pleno processo de flexibilização por conta da crise internacional. A decisão reflete a necessidade de se interromper o movimento de elevação das expectativas inflacionárias para este ano, que, segundo a pesquisa Focus, já apontam o IPCA em 5,42% em 2011, significativamente acima do centro da meta de 4,5%. Vale lembrar que o índice oficial de inflação fechou o ano passado em 5,91%, o maior nível desde 2004.

FABIO GRANER, Agencia Estado

19 de janeiro de 2011 | 20h38

A elevação dos juros hoje interrompe uma sequência de três manutenções seguidas na Selic (nas reuniões de setembro, outubro e dezembro) em 10,75% ao ano. Apesar de o Banco Central reconhecer em seus documentos mais recentes que parte relevante da alta recente da inflação decorre de choques de oferta, principalmente de alimentos, a decisão do Copom revela o temor de que essas altas de preços possam contaminar o restante da economia, em razão de uma demanda interna aquecida.

Além disso, busca transmitir um sinal de força do novo presidente da autoridade monetária, que ainda precisa consolidar uma reputação de que não vai transigir com a busca de manter a inflação na meta.

A elevação dos juros, de fato, dá sequência ao processo de aperto monetário iniciado em dezembro do ano passado, com a elevação dos depósitos compulsórios e do aperto das condições de crédito por meio de medidas macroprudenciais. Segundo cálculos de analistas de mercado e do próprio governo, tais medidas seriam equivalentes a uma elevação de 0,5 a 1 ponto porcentual na taxa Selic.

Essa análise é corroborada pelo próprio comunicado divulgado hoje pelo BC, que disse que o ajuste na taxa básica, junto com as medidas macroprudenciais, "contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas".

Para o economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto, com a demanda interna aquecida, elevação nos preços do setor de serviços e a piora das expectativas inflacionárias, o processo de elevação dos juros se torna necessário. "As ações prudenciais já tomadas não substituem política de juros e também a política fiscal, sob a qual ainda há ceticismo", disse Campos Neto, destacando que o juro mais alto desestimula o consumo e também gera um incentivo para se aumentar a taxa de poupança na economia.

O estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani, considera que a combinação de choques de oferta, economia aquecida e o fato de se estar começando um novo governo - em que, sem autonomia formal, o BC precisa consolidar sua reputação - leva ao processo de elevação da Selic. "Não acho que a economia esteja superaquecida, mas de fato ela está aquecida, como mostram, por exemplo, os dados do mercado de trabalho. Não dá pra dizer que a economia está fraca. Ela está rodando próximo do potencial. Em uma economia que sofre choques com esse nível de atividade, a situação complica", afirmou.

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