Jardel Barsagini
Jardel Barsagini

Com Embraer, cidade paulista tem melhor gestão do País

Com 4.700 habitantes, Gavião Peixoto saiu da 410ª posição em 2015 para liderar o ranking da Firjan no ano passado

Rene Moreira, Especial para o Estado

10 Agosto 2017 | 23h16

GAVIÃO PEIXOTO - Se na maioria dos municípios do Brasil a crise arrocha as prefeituras e falta dinheiro para tudo, em Gavião Peixoto (SP) a situação é diferente. A cidade paulista de 4.700 habitantes, que abriga as atividades de montagem final de aeronaves da Embraer, recebe investimentos do setor aeronáutico e tem alta capacidade de arrecadação própria. A cidade saltou de 410º lugar em 2015 para a 1ª colocação no ranking da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) no ano passado.

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A melhora da posição se reflete na vida das pessoas e na prestação de serviços públicos. Setores como saúde e educação, problemas cruciais Brasil afora, vão bem e não preocupam os gavionenses, como são chamados os moradores da cidade.

“O ensino fundamental aqui é bom e a saúde também vai bem”, diz o morador Fábio Rodrigues, que presta serviço de assessoria, principalmente, a produtores e conta que os problemas são poucos na região. “Só falta um projeto que funcione e faça avançar o desenvolvimento rural”, sugere.

A prefeitura de Gavião Peixoto, de acordo com o Portal da Transparência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), arrecadou no ano passado R$ 33 milhões. O valor é mais que o dobro de outras cidades de São Paulo do mesmo porte, como Mirassolândia (R$ 14 milhões) e Júlio Mesquita (R$ 15 milhões).

O prefeito do município, Gustavo Piccolo (PHS), confirma que trabalha com um orçamento elevado. “Aqui a gente não fecha no vermelho.” Entretanto, diz que a situação não é tão cômoda porque a receita varia muito e “chega a ser de R$ 26 milhões por ano”, o que também supera outras prefeituras.

Segundo ele, a arrecadação tem como prioridades a saúde – o morador é atendido de imediato e sem fila – e na educação, que desde 2014 tem ensino integral na educação básica. “Também construímos duas creches e ampliamos uma escola.”

Ele diz que a Embraer é o “coração” financeiro do município e lamenta apenas que o ganho não seja ainda maior porque nem todos os trabalhadores moram na cidade. “Alguns são da região e acabam gastando seus salários na terra de origem.”

Problemas. Nas ruas, porém, algumas situações incomodam a população. “Acho que poderia ter mais casas, porque tem muita gente pagando aluguel”, disse o agricultor Ademir Guerra, que citou ainda a falta de tratamento de esgoto. O prefeito garante estar ciente da situação e alega que a questão do esgoto será resolvida com a estação de tratamento que fica pronta em 2018, ao custo de R$ 3 milhões. Sobre a falta de casas, ele diz que está sendo erguido, em parceria com a CDHU, o primeiro conjunto habitacional da cidade, com 120 moradias.

De acordo com dados do IBGE, em 2015 o salário médio mensal na cidade era de 5,6 salários mínimos, um dos valores mais altos do País. Somado a isso, a proporção de pessoas ocupadas em relação à população total passava dos 70%.

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