Com emprego em alta, renda é recorde

Massa salarial somou R$ 35,5 bilhões em maio e acende o alerta de retomada da inflação; taxa de desemprego se manteve estável, em 6,4%

Daniela Amorim e Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

O emprego em alta fez a massa salarial bater recorde em maio, acendendo o alerta de que mais dinheiro circulando pode dar novo impulso à inflação. O rendimento dos trabalhadores somou R$ 35,5 bilhões no mês, maior valor da série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com avanço de 1,6% em relação a abril e de 6,6% sobre maio de 2010. O dado é da Pesquisa Mensal do Emprego, divulgada ontem.

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas ficou estável em maio, em 6,4%, mesmo índice de abril. O rendimento médio real habitual dos ocupados no País foi de R$ 1.566,70 em maio, o mais alto para o mês desde 2002. A alta foi de 1,1% em relação a abril e de 4% ante maio de 2010.

"O rendimento médio não é o maior, mas tem mais gente empregada. Tem mais dinheiro circulando, com a população ocupada e o rendimento crescendo", disse Cimar Azeredo, gerente da pesquisa do IBGE. "Tem mais gente com poder de compra."

A preocupação de analistas é de que, com o mercado de trabalho ainda aquecido em meio à desaceleração da economia, o consumo mantenha a pressão sobre os preços, atenuando o efeito do aperto monetário para colocar a inflação abaixo do teto da meta oficial para o ano: 6,5%.

"A alta da massa salarial indica pressão de demanda, não há dúvidas", diz Rogério Sobreira, economista da Fundação Getúlio Vargas. Para Andreia Parente, pesquisadora do Ipea, o aumento na massa salarial não vai necessariamente alimentar o consumo. Segundo ela, a desaceleração recente da inflação influenciou a massa salarial, ao dar um ganho real ao trabalhador. Flávio Combat, economista da Concórdia Corretora, vê o mesmo efeito, mas lembra que o indicador preocupa no cenário inflacionário ainda incerto. "O mercado de trabalho continuará a pressionar a inflação nos próximos meses, mesmo porque o nível de desemprego está muito baixo."

Indústria. A criação de 79 mil postos de trabalho em maio na indústria de Belo Horizonte e São Paulo pode ser um indício de que o setor voltará a contratar, segundo o IBGE. De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego, a taxa de desemprego caiu 0,6 ponto porcentual na região metropolitana de Belo Horizonte e recuou 0,4 ponto porcentual em São Paulo, em relação a abril.

São Paulo criou 49 mil postos no setor em maio, o que pode ser encarado como retomada da produção nacional. Em Belo Horizonte, houve a criação de 30 mil vagas. "São Paulo tende a ter um efeito farol. O que acontece lá acontece depois no resto do País", disse Cimar Azeredo.

Apesar do resultado satisfatório da indústria nos dois Estados, as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre registraram alta no desemprego - de 0,6 ponto, 0,3 ponto e 0,5 ponto porcentual, respectivamente -, o que impediu uma queda na taxa nacional.

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