Com empréstimo de R$ 80 bilhões ao BNDES, dívida pública ultrapassa R$ 1,5 trilhão

Dívida interna também cresceu R$ 12,518 bilhões em função do impacto da correção dos juros no estoque

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

20 de maio de 2010 | 14h51

O empréstimo de R$ 80 bilhões do Tesouro Nacional ao BNDES fez a Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassar a marca de R$ 1,5 trilhão. Dados divulgados há pouco pelo Tesouro Nacional mostram que a Divida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFI) apresentou um crescimento de R$ 92,531 bilhão, ou de 6,61% atingindo R$ 1,492 trilhão.

A maior parte do crescimento da dívida interna foi decorrente da emissão de R$ 80 bilhões em títulos públicos de empréstimo que o Tesouro fez ao BNDES para aumentar os fundings do banco público e permitir maior concessão de financiamentos de projetos de investimento.

A DPMFI aumentou também R$ 12,518 bilhões em função do impacto da correção dos juros no estoque da dívida. Com o aumento da DPMFI o estoque da dívida publica federal total, que inclui também a dívida pública externa, subiu para R$ 1,585 trilhão, um aumento de 6,02% em um único mês. O aumento da divida publica federal total só não foi maior, porque a Divida Pública Federal Externa teve em abril uma queda de 2,73% ou R$ 2,582 bilhões. Apesar do forte impacto do empréstimo do BNDES no estoque da dívida o Tesouro, como antecipou ontem a Agência Estado, não quer informar as condições do financiamento.

Dos R$ 80 bilhões de empréstimos do Tesouro Nacional ao BNDES, R$ 74,33 bilhões impactaram a dívida no estoque de abril. O restante, que também já foi emitido no mês passado, terá impacto no estoque de maio, segundo o Tesouro.

Recompra

O Tesouro Nacional informou que nos meses de março e abril fez uma recompra de R$ 766,98 milhões em títulos da dívida externa. O montante desembolsado para a recompra desses papéis foi de R$ 935,26 milhões.

Os títulos recomprados ainda não impactaram o estoque da dívida. Isso só deverá ocorrer depois do processo de cancelamento dos papéis, o que deverá ocorrer na contabilidade da dívida no mês de maio. O Tesouro informou que a redução do fluxo de pagamento com as recompras de títulos efetuadas ao longo de 2010 já é de R$ 1,45 bilhão. Desde janeiro de 2007, quando o programa começou, a redução total do fluxo de pagamentos é de R$ 24,77 bilhões.

O custo médio da DPMFi, acumulado em 12 meses até abril, subiu para 10,76% ao ano. Até março, o custo médio acumulado em 12 meses estava em 10,72% ao ano. O aumento se deve à alta do IPCA, do IGP-M, IGP-DI.

Dívida prefixada

A parcela prefixada na DPMFi subiu para 32,93% em abril. Em março, a parcela prefixada correspondia a 31,53% do total do endividamento interno.

Segundo dados divulgados há pouco pelo Tesouro Nacional, a parcela atrelada à taxa Selic subiu de 35,74% em março para 35,95% em abril, atingindo o montante de R$ 536,70 bilhões. Por outro lado, a parcela atrelada a índices de preços caiu de 30,82% para 29,41%. A parcela atrelada à taxa de câmbio teve também ligeira queda, passando de 0,72% para 0,64%.

A parcela a vencer em 12 meses, indicador bastante observado pelas agências de classificação de risco, teve uma alta de 24,72% em março para 26,03% em abril. Quanto maior esse indicador, pior a avaliação porque significa que a dívida de curto prazo, com vencimento em um ano, aumentou. O prazo médio da DPMFi também caiu de 3,58 anos em março para 3,43 anos em abril.

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