FEA-USP/ Reprodução
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'Com estabilidade monetária, convergiremos taxas de juros a níveis mais adequados'

Indicado para a Diretoria de Política Econômica do Banco Central, o economista Fábio Kanczuk participou de sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2019 | 12h17

BRASÍLIA - Indicado para a Diretoria de Política Econômica do Banco Central (BC), o economista Fábio Kanczuk afirmou que é com estabilidade monetária que o País convergirá para taxas de juros a níveis mais adequados, “seguindo sempre firmes no objetivo de contribuir para um ambiente de crescimento econômico sustentável".

Kanczuk participa desde a manhã desta terça, 29, de sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Formado em engenharia eletrônica, Kanczuk tem mestrado e doutorado em economia. Ele será o substituto de Carlos Viana de Carvalho, que deixou o cargo recentemente e cumpre período de quarentena.

"Vivi a vida inteira como economista vendo a Selic em níveis altíssimos, de 30% ao ano. Parecia coisa impossível de ser reduzida", lembrou. “A batalha sobre o nível do juro primário no Brasil parece ter sido vencida pelo BC".

O economista afirmou que, apesar do recuo da Selic ao longo dos anos, o juro cobrado dos clientes pelos bancos, na ponta, ainda é "superalto". "De longe, o primeiro tópico de relev​ância é a redução dos juros na ponta", afirmou aos senadores. "Se eu tiver a honra de ser aprovado por essa comissão, a preocupação número um é essa: redução de juros na ponta", disse.

Questionado por senadores sobre o fato de o cadastro positivo -  que reúne informações de cada consumidor sobre crédito para fornecer informações para o mercado avaliar o risco de inadimplência e, assim, decidir conceder mais crédito ou não - ainda não ter promovido a redução de juros aos clientes de bancos, Kanczuk disse concordar que "até agora não deu para ver nada do cadastro positivo". Ele lembrou, no entanto, que para o cadastro positivo ser bem sucedido é necessário que se forme uma base de dados, a ser consultada pelas instituições financeiras na concessão de crédito.

Kanczuk defendeu ainda que, para que os juros caiam no Brasil, a obtenção de garantias das operações de crédito, pelos bancos, ocorra "de forma rápida e integral". "Em geral, consegue-se pegar menos de 50% das garantias de crédito, depois de quatro anos", comentou.

O economista também demonstrou preocupação com o fato de que os juros do cheque especial e do cartão de crédito no Brasil estarem acima dos 300% ao ano. "Cheque especial e rotativo têm juros mais elevados e são regressivos, prejudicam os mais pobres", afirmou. "Quem recorre a produto emergencial de crédito é cidadão com menos educação", acrescentou Kanczuk, defendendo a eliminação de "subsídios cruzados" que, segundo ele, prejudicam o custo dos produtos emergenciais.

Ele defendeu ainda que o Banco Central tem assegurado um sistema financeiro “sólido e eficiente, capaz, entre outras funções, de prestar serviços financeiros adequados à população, de permitir um planejamento e gerenciamento adequado dos riscos financeiros, uma intermediação eficiente de recursos, contando sempre com regulação prudencial e com supervisão abrangente e profunda, reconhecidas por sua eficácia e sucesso".

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