Sérgio Roberto Oliveira/Estadão
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Com estoques abaixo do normal, aço pode começar a faltar no mercado

Segundo instituto, estoque de setembro caiu 7,8% em relação ao mês anterior e clientes já precisam consultar vários distribuidores antes de conseguirem comprar o insumo

Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2020 | 10h00

Com o estoque de aço abaixo do normal, pode faltar produto no mercado a qualquer momento. O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, diz que ainda não tem notícia de desabastecimento, mas admite que os estoques estão no limite, o que pode prejudicar as entregas rapidamente.

Segundo dados divulgados pelo Inda, o estoque de setembro caiu 7,8% em relação ao mês anterior, atingindo o montante de 703,5 mil toneladas. O giro de estoque também fechou em queda, com 1,7 mês. Segundo o presidente da entidade, a média dos últimos anos ficou entre 3,1 e 3,2 meses. O ideal seria algo entre 2,5 e 2,8 meses, de acordo com ele.

"Nosso estoque foi para um nível muito baixo e os distribuidores começam a deixar de atender. Vários associados estão perdendo venda por falta de estoque. O cliente consulta e vê que não tem. Ele vai pesquisando e consegue o produto apenas no quarto distribuidor. Ainda não temos notícia de gente que parou por falta de produto, mas isso, com certeza, gera essa sensação de falta", afirma Loureiro.

No setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, mais de 90% das empresas compram o aço nas distribuidoras. Especialistas explicam que apenas as grandes empresas, que operam volumes maiores, têm condições de comprar diretamente das usinas. Loureiro diz que as usinas estão retomando a produção para atender o mercado e que a situação deve estar normalizada no início do ano que vem.

"O mercado já estará abastecido e normalizado em janeiro do ano que vem. Embora não se saiba como serão as férias coletivas nas usinas, a expectativa é que elas trabalhem em plena capacidade no fim do ano. Os alto-fornos já estão voltando a funcionar", comenta.

Segundo ele, o alto-forno da Usiminas já voltou a funcionar e a ArcelorMittal já está retornando com o terceiro equipamento em outubro. A expectativa é que a CSN volte com o segundo alto-forno em novembro. Assim, já em dezembro todas estarão abastecendo o mercado, de acordo com Loureiro. "Estamos vivendo uma fase de recomposição de estoque que cria um consumo aparente acima do real", explica.

Compras

As compras dos distribuidores de aço do País subiram 29,2% em setembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, para 316,7 mil toneladas. Já as vendas tiveram alta de 39%, chegando a 403,1 mil toneladas. Em relação a agosto de 2020, as compras tiveram alta de 2,6% e as vendas avançaram 7,8%. O presidente do Inda diz que os dados vieram acima do esperado.

"Para a rede de distribuição, isso é muito bom. O ano estava ruim até abril e maio, quando houve muita perda por conta da pandemia. Agora, o setor está respirando bem e vamos terminar 2020 com bons resultados", diz Loureiro.

A previsão é de crescimento entre 8% e 9% nas vendas em 2020. "Começamos o ano prevendo crescimento de 5%. Com a pandemia, nossa estimativa passou para uma queda de 20%. Agora, estamos prevendo novamente crescimento de um dígito alto".

Sobre preços, a expectativa é de novo aumento em novembro. "A CSN já anunciou e a Usiminas também disse que virá com um aumento em novembro ao redor de 10%. Não temos informações oficiais da Gerdau, mas a companhia deve acompanhar as outras", diz.

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