NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Com estoques em alta, setor imobiliário deve antecipar promoções em 2015

Saldões são esperados para este primeiro semestre e podem incluir descontos no preço, meses de condomínio grátis e até apartamentos mobiliados

Gustavo Santos Ferreira, O Estado de S. Paulo

16 Fevereiro 2015 | 06h00

SÃO PAULO - Apesar do crédito mais caro, a paradeira geral da economia brasileira favorece a garimpagem de boas condições para a compra da casa própria. O aumento do estoque de imóveis à venda - formado em 2014 pela baixa disposição em investir do consumidor - pode ter reservado para este ano a possibilidade de se gastar um pouco menos por um novo lar.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, o estoque imobiliário saltou 37%: de 19,7 mil unidades, em dezembro de 2013, para perto de 27 mil unidades, no mesmo mês de 2014. “Com uma boa pesquisa, o consumidor tende a conseguir encontrar bons preços”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

Desse volume, ele explica, mais de um terço ainda permanece na planta. E, conforme diz, esses imóveis normalmente apresentam valores mais favoráveis em relação àqueles já prontos ou em processo de finalização. Portanto, é na oferta dessas habitações que podem estar condições mais atrativas.

O perfil desse estoque beneficia casais ou quem quer morar sozinho. Na capital paulista, números mais atualizados do Secovi-SP mostram elevação significativa na quantidade de imóveis de apenas um dormitório. Ao final de 2004, esse modelo de moradia representava 8% do total ofertado. Já em novembro de 2014, subiu para 27%. Ao mesmo tempo, caiu com força o volume de residências estocadas de quatro dormitórios: de 22% para 10%, na comparação dos mesmos períodos. 

Descontos. Rogério Santos, diretor do outlet de imóveis novos RealtON, acredita que este será um ano raro entre muitos para a compra de imóveis. “Será uma fase atípica, favorável não só para o pequeno como para o grande investidor”, afirma. Santos estima para as próximas semanas, logo depois do carnaval, o início de promoções pontuais no setor.


De todos os lançamentos feitos no ano passado em São Paulo, diz ele, entre 80% e 90% foram concentrados no último trimestre. “Mas a velocidade das vendas desses empreendimentos ficou abaixo da esperada”, diz. “Construtoras e incorporadoras terão de facilitar algumas condições para serem capazes de gerar capital e honrar compromissos assumidos com fornecedores e funcionários.” 

Essas “facilidades” vindouras, diz o executivo, não passam apenas por simples descontos no preço final. Para atrair clientes, empresas podem optar, por exemplo, por garantir alguns meses grátis de condomínios, isenções de taxas e até apartamentos mobiliados. 

As zonas periféricas devem concentrar grande parte dessas promoções - prevê Santos. Em geral, são áreas em franca expansão, onde parte considerável dos estoques estão. Por outro lado, esses locais às vezes apresentam fatores negativos a se considerar, como altas taxas de criminalidade e precária mobilidade urbana.

Cuidados. Quando a esmola for demais, toda desconfiança é sempre pouca. Santos faz o alerta: não existe milagre. O consumidor precisa ficar atento e duvidar de qualquer oferta que lhe parecer absurda, para não ser surpreendido por outros gastos, por vezes, camuflados nas pequenas letras dos contratos. 

E o recado para quem espera por barateamento generalizado dos imóveis é claro: não se anime. O segmento imobiliário aposta na manutenção do ritmo de alta média do custo do metro quadrado no Brasil em 2014 - de 6,7%, de acordo com o índice FipeZap, pouco acima da inflação de 6,4% do período. 

“Existe um estoque realmente razoável, mas não o suficiente para derrubar o nível atual dos preços”, afirma Viktor Andrade, sócio da Ernest & Young para transações no mercado imobiliário na América do Sul. Ou seja, serão necessárias pesquisas e paciência para fisgar as tais boas ofertas esperadas pelos analistas. 

Num cenário de estagnação ou mesmo recessão econômica, como o que se desenha para a economia brasileira em 2015, Andrade diz que comprar casas térreas ou apartamentos usados não será bom negócio. 

De acordo com o analista, esses imóveis costumam ser a salvaguarda de renda das populações em tempos de crises econômicas, como este. Nessas condições, quem tem imóveis deve preferir alugá-los, para assegurar algum rendimento, ou, caso opte pela venda, o que é pouco provável, pedir alto para se desfazer da moradia.

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