Com EUA e SMP, mercado relativiza política

O mercado brasileiro abre nesta quinta ainda em ritmo lento, monitorando o comportamento do mercado americano após a queda de 0,50 ponto do juro do Fed anunciada ontem. Como a decisão era esperada, as bolsas realizaram lucros ontem em Nova York. Nem mesmo a possibilidade de o Fed voltar a cortar a taxa, talvez antes da próxima reunião (20/03), chega a animar o mercado, que já esperava uma sinalização mais agreesiva de Greenspan após os últimos dados sobre queda da confiança do consumidor e desaceleração do PIB nos EUA. Nesta manhã, futuros do Nasdaq e S&P estão abrindo de lado. Há nova rodada de indicadores hoje nos EUA, mas o dado mais relevante é a taxa de desemprego, que sai amanhã. O mercado mantém a precepção positiva em relação à economia brasileira para este ano e segue esperando alta para as bolsas e novas quedas para os juros. A balança continua como exceção à regra, o que limita quedas do dólar, mas não abala o sentimento positivo do mercado.Turbulência no governo - Assim como ocorre em relação ao déficit da balança, analistas financeiros ainda não vêm motivo de maior preocupação com as turbulências dentro da base aliada do governo e não temem que a disputa entre PMDB/PSDB e PFL evolua para uma crise política séria. Nem mesmo o destaque dado pelos jornais hoje à inédita derrota imposta ao governo ontem pelo PFL, que votou com a oposição, pareceu assustar. Profissional consultado pela AE avalia que, passadas as eleições na Câmara e no Senado, o governo conseguirá recompor sua base política, ainda que em novas condições. A possibilidade de rompimento definitivo do PFL, segundo a fonte, é considerada baixa. Um dos pivôs da disputa junto com ACM e Jader, o deputado Inocêncio se disse "mais leve" por votar "com o povo". Mas o peemedibista Simon, defensor de Jader, lembrou que "não faz parte da índole do PFL" votar com a oposição. "O mercado ainda paga para ver o PFL sem os cargos do governo", comentou o analista financeiro ouvido pela AE. Quanto à "perda" de R$ 3 bi com a derrota de ontem, o analista observa que trata-se um problema contábil, e não de uma perda real. "Nada que o governo não possa resolver com algum malabarismo", disse o analista. De todo modo, o mercado continua monitorando os fatos no Congresso, onde a unidade da base será testada em novas votações hoje. Ainda em Brasília, o mercado acompanha nova tentativa da Anatel de retomar hoje a licitação do Serviço Móvel Pessoal (SMP). Os consórcios estão entregando agora suas propostas e o leilão da banda C está previsto para o dia 6. Na agenda interna, além do SMP, destaques nesta quinta para o cronograma do Tesouro e o resultado fechado da balança de janeiro.

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