Com executivo ''comprador'', Vale busca aquisições em fertilizantes

No mercado. Com passagens pela Bunge e pela Fosfértil, Mário Barbosa, diretor executivo de fertilizantes da Vale, afirma ter comandado 14 aquisições de empresas em 15 anos. Companhia pode 'inflar' orçamento para o setor, de US$ 12 bilhões até 2014

Mônica Ciarelli / RIO e André Magnabosco/ SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

Mesmo fora da disputa pela canadense Potash, a Vale afirma ter planos ambiciosos para o setor de fertilizantes, que incluem aquisições de ativos nos próximos anos. Já existe também a expectativa de que a companhia engorde o orçamento do setor, atualmente em US$ 12 bilhões até 2014.

Há menos de três meses no grupo, o diretor executivo de fertilizantes da Vale, Mário Barbosa, afirma que a mineradora está atenta ao atual cenário de consolidação no setor. "Existem empresas, nesse processo de consolidação, que vão ficando pequenas se não se juntarem a outras", disse. "Se aparecerem oportunidades que façam sentido, vamos sempre analisar."

De perfil comprador, Barbosa esteve à frente da Bunge e da Fosfértil e arrematou quase uma nova empresa por ano. "Você sabe do meu passado. (...) Eu comprei umas 14 empresas ao longo desses 15 anos", disse.

Amigo pessoal do presidente da Potash, Bill Doyle, Barbosa disse acreditar que entrar na disputa pela companhia canadense seria um "passo muito grande" para a Vale no momento - neste mês, a BHP Billiton fez uma oferta hostil de US$ 38,6 bilhões pela Potash. "Estamos falando de empresa de US$ 45 bilhões."

Os controladores da empresa canadense consideraram que a proposta da BHP subestima o potencial da companhia e recomendou que os acionistas não aceitem a oferta. O maior apetite das mineradoras por ativos de fertilizantes tem como pano de fundo a perspectiva de expansão da demanda mundial por alimentos.

Barbosa é taxativo ao falar que pretende colocar a Vale como a segunda no ranking mundial em quatro a cinco anos. Hoje, a mineradora ocupa a nona posição no segmento de potássio e a quinta em fosfato.

A primeira tentativa da Vale de ganhar escala no segmento foi em 2009, quando a empresa negociou a compra da gigante americana Mosaic, avaliada na época em US$ 25 bilhões. A operação não saiu do papel. Em maio deste ano, a Vale voltou ao mercado e arrematou o controle da Fosfértil e os ativos da Bunge Fertilizantes no País. Os negócios somaram US$ 4,7 bilhões.

Além de aquisições, Barbosa disse que a companhia pretende ampliar sua produção organicamente no Brasil, Argentina, Peru, Canadá e Moçambique. Os investimentos vão somar US$ 12 bilhões até 2014, pouco mais de 10% do total a ser investido no setor nos próximos três anos. Barbosa afirmou que o orçamento mundial para o setor é de US$ 100 bilhões, sendo US$ 80 bilhões para novos projetos e US$ 20 bilhões para expansões.

Outra possibilidade de acelerar o crescimento no setor seria por meio de parcerias com outras companhias de fertilizantes. Barbosa lembra que, na época em que estava na Bunge, fechou uma joint venture com estatais no Marrocos. Com 80% das reservas mundiais de fosfato, o país concentra o maior complexo de fertilizantes do mundo, com cerca de dez fábricas. "Eu acho que é (o caminho)", disse.

IPO. A empresa a ser criada pela Vale para concentrar os ativos de fertilizantes do grupo já nasceu com planos de fazer uma oferta de ações para viabilizar parte dos investimentos previstos. A intenção é abrir o capital Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo.

Segundo Barbosa, ainda não está definido se a empresa que ficará responsável pelos ativos de fertilizantes da Vale será a própria Fosfértil, que já tem o capital aberto, ou se será criada uma nova empresa. Está certo apenas o nome da companhia: Vale Fertilizantes. "A Fosfértil vai se manter uma empresa aberta, mas ainda estudamos se ela será a empresa que vai consolidar os ativos da Vale", informou.

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