Com expansão do crédito, Bradesco lucra R$ 2,4 bilhões no 2º trimestre

Resultado. Estimulado também pela redução da inadimplência no período, resultado do segundo maior banco privado brasileiro surpreende positivamente e soma R$ 4,5 bilhões no primeiro semestre, o segundo maior lucro da história do setor para o período

Leandro Modé, Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

O lucro do Bradesco no segundo trimestre do ano surpreendeu positivamente o mercado e, para analistas, indica que o período foi bom para o setor financeiro em geral - a despeito da acomodação da atividade econômica no período.

O segundo maior banco privado brasileiro lucrou R$ 2,405 bilhões, o que representou uma alta de 4,7% ante o mesmo trimestre de 2009 e de 14,4% em relação ao primeiro trimestre. O lucro líquido ajustado (ou seja, excluindo fatores extraordinários) foi de R$ 2,455 bilhões.

No primeiro semestre, os ganhos chegaram a R$ 4,5 bilhões, ante R$ 4 bilhões nos seis primeiros meses do ano passado. Segundo a Economática, é o segundo maior lucro da história do setor para um primeiro semestre.

O período abril-junho foi caracterizado pela expansão do crédito, pela queda da inadimplência e pela redução das despesas com devedores duvidosos.

A carteira de crédito total do banco atingiu R$ 244,8 bilhões ao final de junho, crescimento de 4,1% na comparação com o primeiro trimestre e de 15% ante igual intervalo do ano passado.

Os empréstimos às micro, pequenas e médias empresas foram o destaque, com expansão de 6,7% sobre o primeiro trimestre e 21,4% na comparação com o primeiro semestre de 2009. Nas pessoas físicas, a alta foi de 20,7% e 4,2%, respectivamente.

O presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, chamou a atenção para o aumento do número de empresas clientes que pretendem fazer investimentos. No início do ano, 21% delas pretendiam investir. No segundo trimestre, eram 38%.

A inadimplência acima de 90 dias (parâmetro mais observado pelo mercado) reduziu-se de 4,4% no primeiro trimestre para 4%. Nas pessoas físicas, o recuo foi de 6,7% para 6,3%. Nas pequenas e médias empresas, de 4,4% para 3,8%. Nas grandes, foi de 0,6% para 0,5%.

"A inadimplência nos surpreendeu positivamente. Esperávamos que esses porcentuais só seriam alcançados no fim do ano", afirmou o vice-presidente de Relações com Investidores, Domingos Abreu. No entanto, ele evitou comentar as perspectivas para o resto do ano.

Com o cenário favorável, o Bradesco sentiu-se confortável para diminuir as provisões para devedores duvidosos (conhecidas como PDD). A provisão total caiu de R$ 8 bilhões para R$ 7,6 bilhões, enquanto a provisão acima do que determina o Banco Central (BC) saiu de R$ 6,5 bilhões para R$ 6,1 bilhões.

Reação. As ações preferenciais (PN) do Bradesco subiram quase 4% na BM&FBovespa, um desempenho acima dos principais concorrentes ontem. Os papéis do Itaú Unibanco, por exemplo, avançaram 2,3%, enquanto o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) ganhou 0,2%.

Analistas destacaram quatro pontos nos resultados: o crescimento da carteira de crédito e do lucro, a queda das taxas de inadimplência, a expansão de 60% nos cartões de crédito e a baixa nas despesas com PDD.

"Mesmo diante de menores ganhos com tesouraria, o resultado bruto da intermediação financeira do Bradesco foi fortemente influenciado por uma combinação favorável de crescimento da margem financeira aliado a menores despesas com PDD", afirmou, em relatório, a analista de bancos da Corretora Ativa, Laura Lyra Schuch. O lucro ficou 7% acima do que ela previa.

Os analistas do Barclays Capital Roberto Attuch e Fabio Zagatti chamaram a atenção para a melhora da qualidade dos ativos de crédito acima do previsto e dos resultados de seguro. O Barclays previa lucro de R$ 2,203 bilhões, 8% a menos do que o apurado.

O Bradesco elevou as metas para seguros em 2010, que passaram de alta de 10% a 12% nos prêmios para a faixa de 16% a 20%. Os prêmios com vendas de seguros, títulos de capitalização e previdência somaram R$ 14,359 bilhões no semestre, alta de 24%.

Expansão forte

R$ 2,405 bilhões foi o lucro líquido do Bradesco no segundo trimestre do ano

R$ 4,508 bilhões foi o ganho do banco no primeiro semestre de 2010

22,3% foi a rentabilidade sobre o patrimônio no segundo trimestre

R$ 558,1 bilhões era o valor dos ativos totais do Bradesco ao final de junho

R$ 244,8 bilhões era a carteira de crédito total do banco no fim de junho

15,9% era o Índice de Basileia do Bradesco no fim do primeiro semestre. Essa é a principal medida de solvência de uma instituição financeira. Pelas regras do Banco Central, o indicador, que mede a relação entre empréstimos e capital próprio, não pode ser inferior a 11%

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.