Com expansão menor, concorrência avança

Brasil Pharma deverá reduzir a abertura de lojas para recuperar margens e recompor saúde financeira

O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2014 | 02h02

Considerada uma das vitrines entre os vários negócios do BTG, a Brasil Pharma deverá olhar pelo retrovisor a expansão de seus concorrentes em regiões onde já exerce liderança, como Norte e Nordeste do País.

Segundo analistas ouvidos pelo Estado, com a redução nos investimentos este ano para focar na saúde financeira da empresa, a expectativa é de que a Brasil Pharma possa abrir espaço para concorrentes de peso em mercados onde exerce liderança. A empresa é líder no Norte, com a Big Ben, e na Bahia, com a bandeira Sant'ana, e uma das maiores do Centro-Oeste.

"Empresas como Droga Raia e Drogaria Pacheco São Paulo (DPSP), concentradas no Sudeste, começaram a expandir seus negócios para o Nordeste e outras regiões do País", disse Guilherme Assis, analista da Brasil Plural. A cearense Pague Menos, que está bem posicionada no Nordeste, também tem um plano de expansão, que prevê a abertura de cerca de 90 lojas este ano, chegando a 750 unidades. O grupo pretende ultrapassar mil lojas até 2017.

Levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias mostra que a Brasil Pharma ficou em terceiro lugar em 2013 em número de lojas, atrás dos grupos Raia Drogasil e DPSP. A Pague Menos é a quarta.

"As grandes redes, de modo geral, abrem cerca de 100 lojas por ano. Talvez, no curto prazo, não tenha impacto, mas a médio e longo prazos a Brasil Pharma pode perder participação de mercado", afirmou André Fontoura, analista da equipe de varejo da BES Securities. A BR Pharma abriu apenas 15 lojas no acumulado em 12 meses até o fim de março.

Concorrência. Nos próximos meses, o movimento de consolidação no setor deverá ser retomado. A gigante americana CVS contratou no início do ano o Pátria Investimentos para prospectar negócios no País. A companhia deu início a conversas com a DPSP, que estão em andamento. "Há muito espaço para que as grandes redes avancem sobre os grupos independentes", disse Fontoura.

Segundo uma fonte de mercado, o grupo Ultra, que entrou no mercado de varejo farmacêutico em outubro com a compra da rede Extrafarma, da Região Norte, propôs joint venture com a Brasil Pharma para abrir farmácias em postos de gasolina da bandeira Ipiranga.

O conglomerado tem planos ambiciosos para crescer a partir de 2015, por meio de aquisições, ou por crescimento orgânico, aproveitando os postos Ipiranga para investir em farmácias. A varejista recusou a proposta do Ultra.

A empresa do BTG criou um modelo de negócios com presença forte em regiões onde as grandes varejistas têm pouca concentração. No radar de multinacionais do setor, a Brasil Phama tem a expectativa de recuperar margens até o fim do ano. Se atingir essa meta, terá duas alternativas: mudar de mãos ou voltar às compras.

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