Com expectativa de inflação alta, Selic pode ter aumento maior

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deu um recado duro e claro aos investidores: se as expectativas de inflação para 2005 não cederem, rumo à trajetória de metas, o Copom elevará o porcentual de alta do juro básico, a Selic, que nas últimas duas reuniões foi de 0,50 ponto porcentual ? em outubro, a Selic passou de 16,25% para 16,75% ao ano e, em novembro, passou de 16,75% para 17,25% ao ano. Para manter o ritmo e a magnitude atuais do ajuste monetário, diz o Copom, será preciso que o cenário do petróleo não se deteriore e que seja revertida a rigidez das expectativas inflacionárias do mercado para o ano que vem (estacionadas em 5,90%, segundo a pesquisa Focus e distantes do objetivo perseguido pelo BC, de 5,1%).A ata, de imediato, já desfaz uma dúvida que existia entre os investidores: ?se o Copom adotasse uma postura ainda mais austera em relação aos juros, seria com doses maiores de alta da Selic ou com prolongamento, por mais meses, da dose de 0,50 ponto porcentual?? O Copom escolherá a primeira alternativa, deixa claro o documento.O Comitê desta ainda na ata as muitas incertezas em relação aos riscos que realmente podem pressionar a inflação. São eles: - o petróleo cedeu, mas permanece em níveis elevados e sua trajetória ainda é incerta; - a inflação subiu, mesmo com queda forte nos produtos alimentícios; - os preços livres subiram, a alta de preços dos produtos industriais se acelerou e constitui fator de risco de repasse ao varejo, que será monitorado de perto; - a produção industrial mostrou acomodação na margem, mas isso não quer dizer reversão da tendência de crescimento; - o crescimento do consumo não é mais restrito aos setores mais ligados ao crédito; - é crescente a importância dos setores mais sensíveis ao crescimento da renda; as vendas também mostram crescimento desse setores e o emprego mantém-se crescente; - a utilização da capacidade instalada atinge níveis sem precedentes desde que foi criada a séria da FGV (1990).

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