Fabio Motra/Estadão
Fabio Motra/Estadão

Dólar tem maior queda diária em quase 11 meses e recua para R$ 4,10

Alívio em relação à economia chinesa e ao processo do Brexit fez a moeda americana cair 1,76% ante o real; no mercado acionário, o Ibovespa fechou acima dos 101 mil pontos

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2019 | 15h11
Atualizado 04 de setembro de 2019 | 18h50

O noticiário externo mais positivo nesta quarta-feira, 4, tanto na China como no processo de saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, estimulou a procura por ativos de risco, o que acabou enfraquecendo o dólar e favorecendo as moedas de emergentes. O real foi uma das que mais se valorizou, perdendo apenas para o rand, da África do Sul. A moeda amricana fechou em queda de 1,76%, o maior recuo diário desde 8 de outubro do ano passado (-2,40%), terminando em R$ 4,1053.

A votação da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado também foi bem vista pelas mesas de câmbio. Na máxima, a moeda chegou a encostar em R$ 4,16, mas ampliou o ritmo de queda na parte da tarde e, na mínima, baixou a R$ 4,09. No mercado de ações, a onda de apetite ao risco e a alta firme das ações da Petrobrás levaram o Ibovespa a se recompor das perdas de terça-feira e superar novamente o patamar dos 101 mil pontos. Com uma arrancada das ações da Vale na reta final do pregão, o principal índice da B3 encerrou a sessão aos 101.200,89 pontos, na máxima, com alta de 1,52%.

O dólar caiu de forma generalizada, tanto ante divisas de emergentes como de países desenvolvidos. O índice DXY, que mede o comportamento da moeda americana ante uma cesta de divisas principais, como a libra e o iene, teve uma das maiores quedas das últimas semanas, de 0,54%. A libra subiu mais de 1% ante o dólar, com o aumento da percepção de que o Brexit não vai ocorrer sem acordo.

Na China, avanço de indicadores da atividade, incluindo um número do setor de serviços mais forte que o previsto, aliviou temores de piora da economia. Ainda na Ásia, a decisão de Hong Kong de retirar a polêmica lei de extradições, que foi estopim dos protestos nos últimos meses, também ajudou a trazer alívio aos mercados internacionais. 

"Depois de uma sequência de altas do dólar, o dia foi de alívio para moedas de emergentes, influenciado por dados positivos da China", afirma o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, que também mencionou a ajuda de discursos de dirigentes do Federal Reserve, que corroboram a percepção de cortes de juros pela frente. Apesar da trégua, para o executivo, neste momento é difícil o dólar cair abaixo de R$ 4,00. Só notícias domésticas positivas sobre o crescimento da economia ou da agenda do governo ajudariam a valorizar mais o real. 

Os economistas do Bradesco calculam que, pelo "valor justo", o câmbio deveria estar atualmente mais próximo de R$ 3,80. O banco observa ainda que os indicadores externos da economia, como o déficit em conta corrente e as reservas não são compatíveis com uma grande depreciação da moeda brasileira, principalmente para níveis acima de R$ 4,00. Mas a tendência é que o real continue com "maior sensibilidade ao cenário externo em relação aos pares", ressalta relatório nesta quarta-feira. "Se houver alguma normalização do ambiente externo, a moeda pode apreciar mais do que os pares", avalia o Bradesco.

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