Werther Santana/Estadão - 5/6/2020
Werther Santana/Estadão - 5/6/2020

Com falta de chips, venda de automóveis tem o pior julho desde 2005

O segmento total de veículos, incluindo caminhões e ônibus, teve queda de 3,8% no mês em relação a junho; escassez de componentes mantém estoques das concessionárias em níveis baixos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 17h07

Com a falta de componentes para a produção, especialmente de semicondutores, o mês passado foi o pior julho em vendas de automóveis para a indústria automobilística em 16 anos, com um total de 126,3 mil unidades, volume 7,3% inferior ao de junho e 8,4% menor que de igual mês do ano passado. 

Somando os segmentos de comerciais leves, caminhões e ônibus, as vendas somaram 175,4 mil unidades, queda de 3,8% ante o mês anterior e pequena melhora de 0,6% na comparação com um ano atrás. No ano, foram vendidos até agora 1,25 milhão de veículos, 27% a mais que em igual período de 2020, ano prejudicado pela pandemia.

Os dados, antecipados pelo Estadão, foram confirmados nesta terça-feira, 3, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A entidade credita o desempenho, em especial do segmento de automóveis, à escassez de produtos nas concessionárias em razão das dificuldades que a indústria enfrenta para a obtenção de peças e componentes.

“Se a produção estivesse normalizada, principalmente para automóveis, poderíamos ter um crescimento ainda maior do que o previsto para este ano no setor”, afirma Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave. “O número de emplacamentos, até agora, mostra que o setor, no geral, mantém sua trajetória de recuperação, com um volume total próximo ao que registramos nos últimos anos, antes da pandemia”, diz, em nota.

Segundo ele, a dificuldade na obtenção de componentes - como os semicondutores -, segue como o principal gargalo para o segmento de automóveis e faz com que os estoques das concessionárias permaneçam em níveis criticamente baixos.

Ele ressalta que os comerciais leves, que têm menos dependência de componentes eletrônicos, mantêm recuperação, assim como o segmento de caminhões, que pode ter seu melhor ano. Há modelos com programação de entrega somente para janeiro em virtude da demanda.

 “A economia está, aos poucos, retornando à normalidade, com o avanço da vacinação, e há boa oferta de crédito, com um nível de aceitação de proposta de sete para cada dez enviadas aos bancos”, afirma Alarico.

Carros mais vendidos

Com a escassez de semicondutores afetando algumas marcas mais que outras, a lista dos carros mais vendidos no País en julho apresenta alterações. Entre os dez preferidos pelo consumidor em julho, quatro são da Fiat - com Argo, Strada e Mobi respectivamente os três primeiros do ranking - e a picape Toro em quinto lugar. Os SUVs Renegade e Compass, da Jeep, ficaram em sexto e sétimo lugares.

Ou seja, seis modelos são do grupo Stellantis, que também reúnem Peugeot e Citroën. Completam a lista dez dos mais vendidos o Hyundai HB20 (quarto colocado) e, na ordem, Toyota Corolla Cross, Renault Kwid e Toyota Hilux. O tradiconal campeão de vendas nos últimos anos, o Chevrolet Onix, aparece na 36.° posição na lista de automóveis e comerciais leves. A fábrica da General Motors que produz o modelo está parada desde abril.

Usados em alta

Com a falta de carros novos, o consumidores recorreram aos usados. Esse mercado registrou crescimento de 6,5% em relação a junho, com 1,42 milhão de unidades vendidas. Na comparação com igual mês de 2020, a alta é de 24,5%.

As vendas acumuladas no ano, de 8,8 milhões de unidades, apresentam avanço expressivo de 54,7% ante igual período do ano passado, segundo dados da Fenauto, entidade que representa o setor de lojistas de veículos multimarcas.

Segundo o presidente da entidade, Ilídio dos Santos, o desempenho é resultado da melhora do índice de confiança do consumidor, do desabastecimento do mercado de veículos zero quilômetro e do consequente reaquecimento gradativo da economia.

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