Paulo Liebert/AE-15/9/2010
Paulo Liebert/AE-15/9/2010

Com fila, carro chinês já sobe de preço

Chery QQ perde posto de mais barato para o Mille

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2011 | 00h00

Com fila mínima de espera de três meses, o modelo chinês QQ, lançado em maio, teve o preço reajustado esta semana em R$ 1 mil e passou a custar R$ 23.990. Com isso, perdeu para o Mille a posição de carro mais barato do mercado. O modelo da Fiat tem preço sugerido de R$ 23.490, mas não vem com itens de série como airbag e freio ABS, disponíveis no concorrente.

Porta-voz da Chery informa apenas que, passados os dois meses de lançamento do produto, a empresa "aplicou um reajuste de R$ 1 mil em seu valor, trabalhando com a margem mínima de lucro."

O presidente da Chery, Luis Curi, diz que a espera média para o QQ é de três meses. O maior revendedor da marca, o grupo Pequim, com quatro lojas em São Paulo, tem encomendas até janeiro, caso seja mantido o ritmo atual de entrega dos veículos trazidos da China.

Do lado oposto, há filas de espera de até quatro meses para carros de alto luxo, todos importados, caso do BMW X3, que custa R$ 273 mil. Para o X6, de R$ 331,4 mil, a demora para entrega é de três meses, segundo informa a empresa.

Sondagem feita em 20 concessionárias da capital paulista pela empresa de consultoria MSantos indica que consumidores interessados no Chevrolet Malibu, Mitsubishi ASX e Pajero Dakar, Peugeot 3008 e Kia Sportage precisam aguardar três meses para receberem os veículos. A Kia confirma que não está conseguindo atender a demanda pelo Sportage, que custa mais de R$ 100 mil.

Segundo a pesquisa, Toyota Hilux, SW4 e RAV 4 têm espera de 60 dias, embora a montadora não confirme. Para a Chevrolet Captiva, Hyundai ix35, Ford Ranger a diesel e Edge a espera é de dois meses. O economista Ayrton Fontes, da MSantos, diz que a lentidão na entrega se deve ao "câmbio favorável, baixos volumes de importação e facilidade no crédito para compradores com maior renda".

A Audi, que em maio tinha filas de 100 a 140 dias para os modelos A1, A5, A7, Q5 e Q7 informa já ter normalizado as entregas. Na Renault, a espera pelo Mégane Grand Tour e pelo Fluence, que chegava a cinco meses em maio, caiu para 30 dias. "Foram feitos ajustes na produção", diz a empresa. Modelos como Volkswagen Jetta, Fiat Strada e Uno Sporting demoram de 25 a 30 dias para serem entregues. Os chineses Effa M100 e Lifan 320 levam 15 dias.

Briga de rua. No fim de junho, havia mais de 300 mil carros nos pátios das revendas e fábricas, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). "A maior parte é de modelos intermediários, na faixa de R$ 35 mil", acredita Santos.

Para desovar os estoques, montadoras e concessionárias promovem feirões. No último fim de semana, três revendas Fiat, GM e Nissan se uniram e promoveram um feirão na avenida Nazaré, no bairro do Ipiranga, que resultou na venda de 220 carros novos e usados. No próximo fim de semana, outro grupo de lojistas promove ação similar na avenida Joaquina Ramalho, na Vila Guilherme.

"Temos pedido de mais dez concessionárias interessadas em organizar o que batizamos de briga de rua", informa Santos. Revendedores querem realizar feirões na avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na zona leste, e na rua Gastão Vidigal, zona sul de São Paulo.

De acordo com Santos, as principais vantagens para os concessionários são dividir custos com organização e mídia - que podem chegar a R$ 600 mil - e atrair mais consumidores a um mesmo local.

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