André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Com possível fim de benefício fiscal, empresas de diferentes setores questionam taxação

Para entidades empresariais, desoneração da folha alivia 'sacrifícios' impostos pela crise

Murilo Rodrigues Alves, Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2017 | 21h30

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Representantes de diferentes setores reagiram com preocupação ao fim da desoneração da folha de pagamento que será proposto pelo governo Temer. Na avaliação de entidades, a volta da taxação deve prejudicar a indústria num momento sensível, quando o mercado interno ainda não se recuperou.

Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, o fim da desoneração da folha de pagamento comprometerá ainda mais a capacidade da indústria brasileira de sair da crise. “As empresas ainda estão muito sacrificadas com o mercado ruim, mas já temos um custo elevado com encargos trabalhistas”, afirmou. “Entendo a situação do governo de precisar entregar o resultado fiscal, mas para isso deveria fazer um corte maior em vez de onerar as empresas”, afirmou.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, o governo deveria em vez de onerar as empresas, aumentar a fiscalização para combater a informalidade. Segundo ele, só no setor da construção, o potencial de arrecadação com a formalização dos empregos chegaria a R$ 30 bilhões por ano. “Onerar neste momento é uma medida contra o emprego, justamente quando o País precisa gerar novas vagas. É incoerente.”

Quando a desoneração começou, foi um mecanismo criado pelo governo para que setores potencialmente exportadores e que tivessem emprego massivo de mão de obra pudessem melhorar sua competitividade, lembra o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. “Três setores foram enquadrados inicialmente, por terem essas características: o de calçados, o de confecções e o de móveis. A partir daí, esse sistema foi aplicado para um grande número de segmentos. Evidentemente, com o desvirtuamento do propósito inicial, se criou o impacto nas contas públicas.”

Para Klein, é preciso avaliar o histórico da medida. “O governo tem um impasse, pretende resolver o problema das contas públicas, mas há um custo que pode ser desastroso.”

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