Com fim de sanções, Brasil põe mercado iraniano no radar

Com fim de sanções, Brasil põe mercado iraniano no radar

Governo brasileiro espera aumentar as exportações para o Irã assim que restrições ao comércio sejam retiradas

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2015 | 02h04

GENEBRA - O governo brasileiro vai pôr o Irã como uma de suas prioridades na promoção comercial, depois que o acordo nuclear entre as potências internacionais e Teerã indicou que as sanções contra os iranianos serão gradualmente retiradas.

O país terá um lugar de destaque no novo plano nacional de exportações que está sendo desenhado pelo governo e que será anunciado nos próximos meses. "O Irã tem um grande potencial e certamente estará entre nossas prioridades", declarou ao Estado o secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho.

Na semana passada, em Lausanne, o governo iraniano cedeu e aceitou um controle internacional de seu programa nuclear por 25 anos. Em troca, recebeu garantias de Estados Unidos, Europa e ONU que as sanções que estrangulam a economia nacional serão gradualmente retiradas.

Os detalhes do pacto ainda precisam ser negociadores e líderes iranianos alertam que existe um risco de que o tratado final não seja estabelecido. Mas, para analistas e diplomatas, o acordo não foi apenas sobre o dossiê nuclear e será principalmente um entendimento sobre a reinserção de uma economia de 40 milhões de pessoas ao cenário internacional.

A partir de 2012, o endurecimento das sanções conduziu a economia local a uma profunda recessão. Entre os jovens, o desemprego superou a marca de 50% e, em 2013, um novo governo venceu as eleições prometendo dar um fim a essa situação. Isso passava, porém, por uma negociação com os EUA e uma aproximação inédita em quase 40 anos.

Missões comerciais da França, da Alemanha e de dezenas de outros países têm feito fila para serem recebidos por Teerã, já planejando um retorno ao país assim que as sanções começarem a ser retiradas.

Alcance. Para especialistas, o fim das sanções representará a maior abertura de uma fronteira à economia mundial desde a queda dos regimes comunistas no Leste Europeu, nos anos 90. Segundo Mehrdad Emadi, consultor da Betamatrix, em Londres, os governos europeus já estão em negociações avançadas com os iranianos para permitir a volta de suas empresas, como a Renault.

Sua previsão é de que a taxa de expansão da economia iraniana poderia chegar a 5% no ano seguinte ao fim das sanções, saltando até mesmo para 8% dois anos depois.

Missões comerciais brasileiras já começam a ser montadas. Nos últimos anos, a participação do Brasil no mercado iraniano sofreu uma importante queda, em grande parte por conta das sanções. O auge das exportações nacionais foi atingido em 2011, quando o Brasil vendeu US$ 2,3 bilhões aos iranianos. Esse mercado chegou a ser o segundo maior destino para a carne bovina brasileira, com vendas de 191 mil toneladas.

Mas, desde então, o endurecimento das sanções a partir de 2012 levou a uma queda importante no comércio. Em 2014, por exemplo, as vendas somaram apenas US$ 1,4 bilhão.

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