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Com fim do subsídio da energia, inflação pode ir a 7%

Após governo anunciar que Tesouro não fará aporte de R$ 9 bi no setor elétrico, previsões parao IPCA subiram

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2015 | 02h04

A decisão do governo de acabar com subsídio do Tesouro para energia elétrica pode elevar a inflação ao consumidor, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para 7% em 2015, meio ponto porcentual acima do teto da meta, segundo a LCA Consultores.

"A nossa projeção é conservadora", afirma o economista da consultoria, Fabio Romão. Como esse custo adicional depende de as distribuidoras reivindicarem o reajuste e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por sua vez, autorizá-lo, o economista considerou nos cálculos da projeção de inflação um repasse para a tarifa de energia que não será mais coberto pelo governo de R$ 4,5 bilhões. É a metade do aporte de R$ 9 bilhões inicialmente previsto para o fundo setorial Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que foi suspenso.

A projeção do IPCA deste ano foi revisada ontem por causa do fim do subsídio. O reajuste de energia elétrica inicialmente projetado para este ano era de 26,7% para uma IPCA de 6,8%. Agora, a conta de luz a deve subir 31,2% em 2015 e a inflação pode atingir 7%. Nessa projeção do IPCA estão incluídas a volta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina e o reajuste de ônibus urbano.

A Tendências é outra consultoria que aumentou ontem a projeção de inflação para 2015, de 6,4% para 6,8%, por causa do reajuste da energia. Segundo Adriana Molinari, economista da consultoria, inicialmente a previsão era de um reajuste da energia elétrica para este ano de 18,5%. "Agora, com as bandeiras tarifárias e o aumento da energia de Itaipu de 46%, a alta prevista para este ano deve ser 24,4%", diz. Nesse cálculo, a economista não considerou diretamente o fim do subsídio do governo à conta de luz. Reajuste das tarifas de ônibus da ordem de 12% (antes, era 8,8%) e o aumento do preço do cigarro de 8,5% influenciaram a revisão para cima da projeção do IPCA para este ano. Mas o fator preponderante na mudança foi o aumento da energia elétrica.

Da inflação de 6,8% esperada para este ano, 0,72 ponto porcentual virá do aumento da tarifa de energia elétrica, explica Adriana. Se for acrescentada nessa conta o reajuste da passagem de ônibus urbano e a alta da gasolina por conta da volta da Cide, esses reajustes responderão por 1,5 ponto porcentual do IPCA de 2015.

"O reajuste da energia elétrica deve ser o grande vilão da inflação este ano", prevê o economista da Rosenberg Consultores Associados Leonardo França Costa. Ele projeta que a inflação deste ano fique em 6,5% e que a energia elétrica responda por 0,8 ponto porcentual, considerando um reajuste anual de 26,5% da eletricidade. Ele ressalta que a energia elétrica responde por 2,95% do IPCA e é o sétimo maior item em peso, superando até mesmo as carnes, que têm importância fundamental no custo de vida do brasileiro, com 2,78% de participação.

Alívio. Apesar da forte pressão de alta dos preços no IPCA deste ano, Adriana, da Tendências, lembra que podem ocorrer pressões em sentido contrário que atenuem esses aumentos.

Um fator, segundo a economista, que pode mudar as projeções é o preço do petróleo em queda no mercado internacional. Se a Petrobrás decidir repassar esse recuo para o preço da gasolina, o aumento previsto por conta da volta da Cide pode trazer um alívio para a inflação. "Mas, por enquanto, a expectativa é que a Petrobrás não repasse a queda do petróleo para o preço da gasolina porque a empresa precisa fazer caixa", prevê.

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