Alex Silva/Estadão - 22/7/2020
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Com flexibilização do isolamento, desemprego recua no início de agosto

Taxa passou de 13,7% no fim de julho para 13,3% na primeira semana de agosto; houve aumento no número de funcionários que estavam afastados e retornaram ao trabalho e também no total de pessoas empregadas

Daniela Amorim e Vinícius Neder, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 10h37
Atualizado 28 de agosto de 2020 | 12h53

RIO - O mercado de trabalho sinalizou ligeira melhora no início de agosto, em meio à flexibilização das medidas de isolamento social de combate à disseminação do coronavírus. Em apenas uma semana, houve aumento no número de funcionários afastados que retornaram ao trabalho, assim como cresceu também o total de pessoas empregadas.

A taxa de desemprego no País diminuiu de 13,7% na quarta semana de julho para 13,3% na primeira semana de agosto, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Esses indicadores semanais oscilam bastante, mas se esse movimento se confirmar em mais uma semana, poderemos sim dizer que o mercado de trabalho começou a melhorar”, ponderou Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população desempregada foi estimada em 12,6 milhões de pessoas na primeira semana de agosto, cerca de 300 mil a menos que o registrado na quarta semana de julho. Ao mesmo tempo, o contingente de ocupados foi de 81,6 milhões na primeira semana de agosto, cerca de 400 mil a mais que o patamar da semana anterior.

O aumento na ocupação registrado na primeira semana de agosto foi puxado pelo maior contingente de pessoas trabalhando na informalidade. Segundo Maria Lucia, em apenas uma semana, mais 694 mil pessoas passaram a trabalhar na informalidade. “Esses trabalhadores informais são mais fáceis tanto de dispensar quanto de recontratar”, justificou.

Na primeira semana de agosto, 8,6 milhões de pessoas trabalhavam remotamente, 300 mil a mais em apenas uma semana. Outros 4,7 milhões de trabalhadores, o equivalente a 5,7% da população ocupada, estavam afastados do trabalho devido às medidas de isolamento social, aproximadamente 1,1 milhão de pessoas a menos que o patamar de uma semana antes.

“Aumenta consideravelmente a população ocupada não afastada do trabalho. Isso é um indício de que esse pessoal que estava afastado retornou ao trabalho que tinha, não foi dispensado não”, apontou Maria Lucia Vieira.

A população fora da força de trabalho - que não estava trabalhando nem procurava por trabalho – somou 76,1 milhões na primeira semana de agosto, 100 mil a mais que na semana anterior. Entre os inativos, cerca de 28,1 milhões de pessoas, ou 36,9% da população fora da força de trabalho, disseram que gostariam de trabalhar. Aproximadamente 18,3 milhões de inativos que gostariam de trabalhar alegaram que não procuraram trabalho por causa da pandemia ou por não encontrarem uma ocupação na localidade em que moravam.

“Para que essas pessoas que estavam fora da força de trabalho retornem ao mercado, a situação tem que melhorar um bocadinho mais”, avaliou Maria Lucia.

O retorno dos inativos à busca por trabalho deve voltar a pressionar a taxa de desemprego ao longo dos próximos meses, segundo economistas. Considerando todos que gostariam de trabalhar e os que já estão buscando uma vaga, ainda falta trabalho para 40,7 milhões de brasileiros.

O nível de ocupação – que mostra a proporção de pessoas trabalhando na população em idade de trabalhar – foi de 47,9% na primeira semana de agosto, ante um patamar de 47,7% na semana anterior.

Resultados regionais do segundo trimestre

O IBGE também divulgou nesta sexta os dados regionais do mercado de trabalho, referentes ao segundo trimestre deste ano. A taxa de desemprego teve aumento estatisticamente significativo em 11 das 27 unidades da federação na comparação com os três primeiros meses do ano, segunda dados da Pnad Contínua Trimestral.

No Estado de São Paulo, a taxa de desocupação passou de 12,2% no primeiro trimestre para 13,6% no segundo trimestre. Em apenas um trimestre, São Paulo perdeu 1,129 milhão de vagas com carteira assinada no setor privado.

A taxa de desocupação no total do País de abril a junho foi de 13,3%, ante 12,2% no primeiro trimestre, como foi informado na divulgação da Pnad Contínua mensal, no início de agosto. No segundo trimestre do ano passado, a taxa de desocupação era de 12,0%.

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