Marcos Corrêa/PR
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Com foco no pagamento de auxílios emergenciais, Caixa tem queda de 39% no lucro do 2º trimestre

Segundo o presidente do banco, Pedro Guimarães, geração de receitas ficou paralisada em abril e só foi retomada em junho

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 12h40

Depois de distribuir R$ 202,8 bilhões em benefícios relacionados aos programas de ajuda emergencial do governo para combater os efeitos da pandemia de covid-19 na economia, a Caixa Econômica Federal viu seu lucro encolher novamente no segundo trimestre. O resultado, de R$ 2,6 bilhões, foi 39,3% menor que no mesmo período de 2019. De janeiro a março, o banco público já tinha apresentado queda de 7,5% no lucro, na mesma base de comparação. 

Em relação o primeiro trimestre de 2020, houve retração de 16,1% no lucro registrado entre abril e junho. No semestre, o lucro líquido foi de R$ 5,6 bilhões, queda de 31% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

"A queda no resultado é reflexo de um menor número de pessoas nas agências e foco no atendimento dos auxílios. Reduzimos uma série de relações comerciais com os clientes e com isso houve redução nas tarifas, como era o esperado", disse o presidente do banco público, Pedro Guimarães, em coletiva para explicar o balanço. "Houve necessidade de atender 90 milhões de pessoas todos os meses nas agências."

Guimarães frisou ainda que a geração de receitas comerciais ficou totalmente paralisada em abril e, em menor proporção, em maio, seguindo tendência de normalização a partir de junho. "Quando temos o banco focado para atender as pessoas, isso faz com que o atendimento comercial não seja o foco, e foi o que aconteceu, especialmente em abril e maio", disse. "Esperamos forte geração de receitas comerciais no terceiro trimestre, com impacto positivo nos resultados."

O presidente da Caixa observou ainda que a expansão da carteira de crédito é o instrumento para compensar queda na margem. "Nunca tivemos expansão tão forte no consignado, nos créditos para micro e no imobiliário, que nunca havia crescido de forma tão relevante nos últimos quatro anos", ressaltou.

Dado o esforço para realizar os pagamentos dos benefícios, o banco viu subir também suas despesas administrativas no período. Além da abertura das agências em horários excepcionais, a Caixa criou uma estrutura para dar segurança aos funcionários, em virtude de pandemia.

De abril a junho, o banco pagou R$ 173,4 bilhões do auxílio emergencial de R$ 600 a 66,9 milhões de pessoas, além de R$ 18,3 bilhões por meio do saque emergencial do FGTS e de R$ 11,1 bilhões pelo Benefício Emergencial BEM, pago a trabalhadores que tiveram o contrato suspenso ou o salário reduzido.

Incluindo todos os benefícios sociais, o banco público estima ter pago R$ 302,9 bilhões e atingido 131,7 milhões de pessoas no período. Segundo a Caixa, 40 milhões de brasileiros passaram a ter contas bancárias por causa do pagamento dos benefícios, enquanto 36 milhões que não estavam nos cadastros do governo foram atendidos.

O banco disse ainda terem sido abertas 91,7 milhões de contas Poupança Sociais Digitais gratuitas e emitidos 67,5 milhões de cartões de débito virtuais, com R$ 21,3 bilhões de transações já realizadas via cartão virtual e QR Code.

Crédito imobiliário em alta

O saldo de empréstimos do banco teve alta de 5,5% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 720 bilhões.

A carteira de crédito imobiliário atingiu R$ 487,7 bilhões, 7,16% acima do mesmo trimestre do ano passado e 3% superior aos primeiros três meses do ano. Desse montante, R$ 302,2 bilhões foram concedidos com recursos do FGTS e R$ 182,4 bilhões com dinheiro da poupança.

A Caixa deteve a liderança desse mercado, com 69,3% de participação. No primeiro semestre de 2020, foram contratados no banco público R$ 28 bilhões no Programa Minha Casa Minha Vida, o equivalente a 153,4 mil unidades habitacionais.

O índice de inadimplência acima de 90 dias da Caixa manteve-se praticamente estável no segundo trimestre, em 2,48%. No mesmo período do ano passado, era de 2,46%. O índice caiu, no entanto, frente a março deste ano, quando estava em 3,14%.

As despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) caíram para R$ 2,8 bilhões no segundo trimestre em relação ao mesmo intervalo de 2019, quando foram de R$ 3,4 bilhões. No semestre, essas despesas somaram R$ 4,8 bilhões, menos que os R$ 6,2 bilhões dos seis primeiros meses do ano passado.

Segundo Guimarães, o banco pode ter de fazer reforço nas provisões nos próximos trimestres, em virtude da possibilidade de elevação nos índices de inadimplência, com o fim dos programas de apoio durante a pandemia.

"Tivemos uma pausa que fez com que as provisões não aumentassem, mas podemos ter aumento nas provisões, embora tenhamos um colchão já relevante e nossa carteira de crédito seja em grande parte defensiva", comentou Guimarães.

Os provisionamentos têm, de modo geral, impacto negativo no lucro e no retorno dos bancos. Em ambos, a Caixa registrou queda no segundo trimestre, ma, em função da queda na margem e receitas com intermediação financeira, por conta do foco da instituição nos atendimentos das pessoas físicas para o recebimento do auxílio emergencial. 

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