Com forte aposta no crédito, Caixa lucra 18% mais em 2012

Ganho alcança R$ 4,2 bilhões entre janeiro e setembro, período em que os empréstimos avançaram 43%, ritmo quatro vezes superior ao do mercado; inadimplência encerra terceiro trimestre em 2,06%

FERNANDA GUIMARÃES , EDUARDO CUCOLO , O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2012 | 02h08

A Caixa Econômica Federal lucrou R$ 4,2 bilhões entre janeiro e setembro, um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2011. Segundo o banco, o valor é recorde para esse período de nove meses. A carteira de crédito da instituição controlada pelo governo federal manteve um ritmo de expansão bem superior à média do mercado: 43%, encerrando setembro em R$ 324,5 bilhões.

Com isso, informou o banco, a participação no mercado nacional de crédito cresceu 2,7pontos porcentuais em 12 meses, para 14,5%. Segundo o Banco Central (BC), o crédito total da economia brasileira avançou 10,2% entre janeiro e setembro.

A Caixa mantém a expectativa de crescimento do crédito para este ano em 42%. De acordo com o vice-presidente de Controle e Risco do banco, Raphael Rezende Neto, essa expansão é explicada pelo programa "Caixa Melhor Crédito". "O programa foi uma base importante para o fortalecimento da relação tanto com os clientes existentes quanto com os novos clientes", disse.

Para 2013, as expectativas seguem positivas e a previsão é de um novo crescimento expressivo da carteira de crédito. Segundo Rezende Neto, o banco está, neste momento, fechando as metas e diretrizes para o planejamento estratégico para o próximo ano.

"Temos um horizonte de crédito muito positivo. A economia vai crescer mais do que em 2012e a demanda por crédito vai continuar crescendo", disse o vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais da Caixa, Márcio Percival, destacando que a previsão é de que o banco amplie a participação de mercado em "todos os segmentos em que atua".

Para o último trimestre do ano, a Caixa prevê contratações entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões. Segundo Percival, o nível mensal de contratações será de R$ 30 bilhões, sendo aproximadamente R$ 16 bilhões para crédito comercial, R$ 5 bilhões para infraestrutura e R$ 9 bilhões para habitação.

"Foi isso em outubro e será em novembro e em dezembro. Pretendemos colocar mais R$ 90 bilhões na economia na forma de crédito", disse o executivo.

Apesar da forte expansão dos empréstimos, a Caixa acredita que os índices de inadimplência vão permanecer estáveis. Ao final do terceiro trimestre, a inadimplência do crédito total na Caixa foi de 2,06%, segundo o balanço divulgado ontem.

De acordo com Rezende Neto, mais de 75% do crédito do banco se dá em habitação, consignado e em infraestrutura, que, segundo o executivo, são segmentos que possuem como característica a baixa taxa de inadimplência. "A Caixa continua forte nesses segmentos e é isso o que sustenta o índice de inadimplência baixo", disse o executivo.

Apesar das declarações dos executivos da Caixa, analistas do mercado financeiro vêm alertando para o risco de que a alta velocidade de crescimento do crédito resulte em perdas no futuro. O argumento principal é o de que a expansão rápida demais deixa o banco vulnerável a eventuais problemas na economia, que possam elevar os indicadores de calote.

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