Com forte demanda, País depende mais de adubo importado

Segundo análise da Reuters, dependência é maior porque indústria local já está perto do limite de produção e projetos para o setor só entrarão em operação em 2014 

Reuters,

21 de junho de 2011 | 18h17

Uma demanda recorde por fertilizantes no Brasil aumentará a dependência nacional do produto importado em 2011 e pelo menos nos próximos três anos, pois a indústria local já está perto do limite de produção e os grandes projetos da Vale e Petrobrás no País só entrarão em operação no segundo semestre de 2014.

Na média dos últimos cinco anos, o Brasil importou 65% da matéria-prima utilizada na fabricação dos fertilizantes consumidos no País, contra uma relação de 85% no acumulado de 2011 até maio, de acordo com dados da indústria, que se apronta para o período de maior demanda, no segundo semestre.

"Se forem atingidas as projeções de consumo recorde. Este percentual (histórico) pode ficar ainda maior. O mercado está muito aquecido", disse o diretor executivo da Associação dos Misturadores de Adubo do Brasil (Ama-Brasil), Carlos Eduardo Florence.

Diante do consumo elevado no Brasil, na esteira da alta das commodities e com produtores investindo mais nas lavouras para otimizar a produtividade, as importações de fertilizantes nos primeiros cinco meses do ano subiram quase 60%, para 7,3 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

"A indústria (nacional) está rodando a 100% e não dá conta", disse um trader de uma grande importadora de matérias-primas de fertilizantes, justificando a necessidade de se importar maiores volumes.

"O Brasil sempre foi um país de 40% (de produção) nacional e 60% (de produto) importado. Se a demanda cresce 5% ao ano, esse 5% só vem do importado, não tem nenhum investimento da indústria nacional (para começar a operar neste ano)", afirmou o trader, que pediu para não ser identificado.

Consultorias trabalham com projeções de consumo recorde neste ano, para cerca de 26 milhões de toneladas, alta de 6% ante 2010. Em maio, o setor teve recorde de entregas para o mês.

"Está se entregando muito bem e nem tudo é antecipação (para a próxima safra de verão). Muito deste adubo foi para o solo, para safrinha de milho, trigo e cobertura de outras lavouras", afirmou Florence.

O executivo da Ama-Brasil concordou com o trader sobre a produção, mas observou que as misturadoras contam com espaço para atender o pico da demanda, que deve ser atingido entre setembro e novembro, quando se planta a safra de verão.

Maior produção em 2014

De acordo com o trader, a dependência brasileira do produto importado tende a aumentar, já que os investimentos anunciados por Vale e Petrobrás ainda levarão tempo para entrar em produção - em 2014, segundo preveem as empresas -, ao mesmo tempo em que a demanda continuará crescente nos próximos anos.

"O que aconteceu é que o preço do grão explodiu, o produtor está cheio de dinheiro e saiu comprando adubo. Todas as culturas continuam demandando, o café está espetacular, a cana está espetacular e os investimentos no setor demoram tempo, são investimentos grandes", comentou o trader da importadora.

Ele se referia aos projetos da Petrobrás e Vale, praticamente as duas únicas empresas com investimentos relevantes no setor.

A Vale, que busca ser um player global e ter o fertilizante como o seu segundo produto, atrás do minério de ferro, prevê inaugurar em Sergipe, em 2014, o que será a maior unidade de extração de potássio do Brasil, com produção de 1,2 milhão de toneladas.

A mineradora ainda tem o projeto Salitre, em Minas Gerais, composto de uma mina de rocha fosfática com capacidade estimada de 2,2 milhões de toneladas, com operação prevista para o segundo semestre de 2014, segundo a assessoria de imprensa.

Já a Petrobrás prevê iniciar a produção de ureia e amônia em Mato Grosso do Sul - no que será a sua terceira fábrica de nitrogenados e a maior do tipo da América Latina - também no segundo semestre de 2014. A unidade deverá dobrar a produção nacional de ureia, para mais de 2 milhões de toneladas.

(Por Fabíola Gomes e Roberto Samora)

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