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Com francesa, FMI manteria velha regra

Christine Lagarde, ministra das Finanças da França, é favorita para liderar Fundo; analistas acham que emergentes ainda terão de esperar

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, permanece como favorita para assumir o lugar do seu compatriota Dominique Strauss-Kahn no cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Lagarde, uma escolha 100% europeia, será sacramentada se os Estados Unidos a apoiarem. E, se isso ocorrer, mantém-se a regra não escrita de que o diretor-gerente do Fundo é um europeu, e o presidente do Banco Mundial, um americano.

"Eu ficaria muito surpreso se não for a Christine, e o máximo que os emergentes poderão conseguir desta vez é garantir o entendimento de que, na próxima sucessão, será finalmente a vez deles", diz um analista brasileiro de um banco privado, com passagem pelo FMI.

Outro financista brasileiro que trabalhou no FMI pondera que "só os americanos podem quebrar aquela regra implícita, porque eles podem formar uma maioria tanto com os europeus quanto com os emergentes".

A repartição da liderança do FMI e do Banco Mundial entre americanos e europeus é contestada pelos emergentes. No Brasil, além da posição do diretor executivo Paulo Nogueira Batista Junior, Murilo Portugal, que ocupava a terceira posição na hierarquia do Fundo até março deste ano, também critica o acordo tácito de partilha.

Frisando que "os europeus têm excelentes candidatos", Portugal, que hoje preside a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), diz que "o errado nesse sistema é que os europeus escolhem um europeu, combinam com os americanos e impõem esse nome".

Ele acha que um sistema mais aberto para a atual escolha seria se os europeus montassem uma lista de candidatos, possivelmente três, que fossem também aprovada pelos americanos. Em seguida, os membros restantes seriam consultados sobre as suas preferências na lista.

Portugal vê grandes avanços na gestão de Strauss-Kahn, iniciada em 2007 e interrompida pelo recente escândalo sexual. Ele nota que "a crise criou uma oportunidade de mudanças, que poderia não ter sido aproveitada; acho que ela acabou sendo aproveitada em grande parte pela liderança, visão estratégica e escolha de prioridades".

Portugal observa que o Fundo fez as primeiras estimativas corretas da extensão das perdas financeiras com a crise. Strauss-Kahn foi também pioneiro em defender estímulos fiscais após o colapso do Lehman Brothers. Ainda em 2008, o Fundo fez uma emissão de 250 bilhões de Direitos Especiais de Saque (DES), equivalente hoje a quase US$ 400 bilhões.

Desempenho. Sob Strauss-Kahn, a carteira de empréstimos do Fundo saltou de US$ 10 bilhões, em 2007, para US$ 200 bilhões, em março de 2011. Houve forte mudanças nos instrumentos e pacotes do fundo, como a Linha de Crédito Flexível, espécie de crédito pré-aprovado para ser usado por países com políticas econômica sólidas em caso de corte súbito de linhas de crédito durante crises.

O Fundo também enxugou as condições que acompanham os programas de apoio normais, evitando interferir em demasiados aspectos da gestão econômica dos países. O FMI suspendeu os juros cobrados de países de mais baixa renda por dois anos e triplicou o volume de recursos subsidiados para os países pobres.

Foram criados novos instrumentos de monitoramento de vulnerabilidades de baixa probabilidade, mas grande impacto em potencial (como a crise global), e o FMI participa ativamente da montagem de um sistema da avaliação dos países do G-20.

Para Portugal, a grande missão do próximo diretor-gerente será "fazer com que os países-membros aceitem que o FMI funcione como um facilitador de ação coletiva internacional na área econômico-financeira".

Ele nota que países e regiões dominantes na economia global têm missões espinhosas adiante: um corte do imenso déficit fiscal de 10% do PIB pelos Estados Unidos, a flexibilização cambial na China e reformas estruturais na Europa. Se os esforços forem isolados, o sacrifício político é o mesmo, mas os efeitos serão apenas uma fração do que seriam caso todos atacassem os problemas ao mesmo tempo.

Outros analistas vão mais longe. Consideram que o FMI deve, nos próximos cinco anos, liderar a reforma do sistema monetário internacional, afetado pela crise e pela emergência de novas potências e suas moedas nacionais.

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