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Com globalização mercado, bancos centrais buscam mais transparência

A globalização do mercado financeiro e as mudanças afetando a contabilidade e a governança corporativa dos bancos comerciais, estão levando os bancos centrais a buscarem mais transparência para as suas próprias demonstrações financeiras. A questão foi discutida na 10ª Reunião Sobre Aspectos Contábeis e Orçamentários de Bancos Centrais, encerrada nesta sexta-feira no Rio. "Os bancos centrais precisam atualizar as suas práticas operacionais e contábeis para acompanhar as mudanças que estão ocorrendo no mercado financeiro mundial", observou o sócio da PricewaterhouseCoopers, Jeremy Foster em entrevista à Agência Estado. Foster apresentou pesquisa realizada pela Price mostrando as práticas dos principais bancos centrais do mundo, constatando que quanto mais transparentes as demonstrações financeiras e práticas contábeis dos bancos centrais, menor a taxa de juros dos títulos públicos dos seus países.A avaliação do especialista é que não há uma "solução única" para a questão e o assunto é complexo. Muitos bancos centrais, por exemplo, administram as reservas cambiais de seus próprios países, além das políticas monetárias e cambial, o que afeta os resultados finais dessas instituições. Além disso, as autoridades monetárias podem ser induzidas a adotar posições que, embora importantes para o governo naquele momento, podem prejudicar as contas financeiras dos bancos centrais. Muitas vezes esses objetivos causam perdas aos respectivos BCs, especialmente em momentos de grande volatilidade. "Nesses casos, como os gestores da instituição devem ser avaliados?", indaga o especialista.Foster contesta que o interesse pelas demonstrações financeiras de bancos centrais seria assunto exclusivo de governos. "Os investidores internacionais, as agências de rating, as agências financeiras de governos e o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) são grandes consumidores dessas informações", argumenta. Com base em pesquisas que a própria Price já realizou, os quesitos de transparência e governança corporativa são cada vez mais valorizados na comunidade financeira internacional. Ele lembra que os bancos comerciais terão de se submeter a novas práticas contábeis a partir de 2010 e os bancos centrais terão de acompanhar as mudanças.O consultor não quis fazer comentários específicos sobre o grau de transparência do Banco Central do Brasil, alegando desconhecer a instituição, mas considera que o órgão estaria em posição favorável. "Só o fato de estar sediando esse tipo de evento, na sua décima edição, sinaliza que o governo brasileiro se preocupa com a questão", observou. Ele lembrou também que o BCB já publica demonstrações financeiras de forma regular, auditadas por empresa internacional (a KPMG).

Agencia Estado,

29 de setembro de 2006 | 16h17

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