Valeria Gonçalvez/Estadão
Valeria Gonçalvez/Estadão

Com greve dos caminhoneiros, 'prévia' da inflação chega a 1,11%, maior taxa para junho desde 1996

Alimentos, energia elétrica e combustíveis pressionam o IPCA-15 de junho, uma vez que o movimento começou no último terço de maio, aponta o IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2018 | 09h00

RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), conhecido como prévia da inflação oficial do governo, registrou em junho alta de 1,11%, após ter avançado 0,14% em maio, informou nesta quinta-feira, 21, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Essa foi a maior taxa para um mês de junho desde o ano 1996, quando o índice registrou também 1,11%.

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O resultado veio acima do teto das expectativas dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam variação de 0,54% a 1,07%, com mediana de 1,00%. Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 acumulou um aumento de 2,53% no ano. Nos 12 meses encerrados em junho, o indicador ficou em 3,68% e, portanto, superou a mediana das projeções (+3,56%). Nesse caso, o intervalo das estimativas ia de avanço de 2,85% a 3,72%.

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O aumento nas despesas das famílias com alimentos, moradia e locomoção pressionaram a inflação. O grupo Alimentação e bebidas saiu de uma queda de 0,05% em maio para um avanço de 1,57% em junho. Os gastos com Habitação passaram de alta de 0,45% para aumento de 1,74% no período. Já o grupo Transportes saiu de redução de 0,35% para elevação de 1,95%.

Os três grupos, que respondem por cerca de 60% das despesas das famílias, contribuíram juntos com 1,01 ponto porcentual para o IPCA-15 do mês, o equivalente a 91% da inflação de junho

"Antes de se pensar que tal deterioração é devida ao comportamento da taxa de câmbio - como pode parecer incorretamente à primeira vista - é importante ter em mente que este aumento tem a ver principalmente com o impacto da greve dos caminhoneiros no final de maio de que atingiu o fornecimento de vários produtos, especialmente itens de alimentos", ressalta o Haitong Banco de Investimento do Brasil, referindo à depreciação persistente do câmbio nos últimos meses.

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A elevação dos preços de alimentos e combustíveis, principalmente, em virtude da crise de desabastecimento causada pela greve dos caminhoneiros afetam em cheio o IPCA-15 de junho, uma vez que o movimento começou no último terço de maio. Além disso, a mudança de bandeira na conta de luz também deve pesar bastante no indicador, já que a mudança da bandeira, de amarela, que tem taxa extra de R$ 1 a cada 100 kWh utilizados, para a vermelha 2 - com cobrança adicional de R$ 5 - é considerável.

O economista da Guide Investimentos Homero Guizzo também nota que a médio e longo prazo o impacto da greve sobre os preços é desinflacionário na medida em que o evento prejudicou diretamente a atividade em maio e afetou negativamente a confiança dos agentes na economia.

Mesmo que o cenário de inflação pareça deteriorado com os números esperados para IPCA-15 de junho, o Haitong reforça que o quadro não piorou, já que os núcleos seguem comportados devido ao ritmo lento de recuperação econômica./COLABOROU THAÍS BARCELLOS

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