REUTERS/Ueslei Marcelino
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Banco Central não sinaliza sobre tendência da taxa de juros

Na ata do último Copom, os membros do BC acreditam que a evolução da economia ao longo dos meses de julho e agosto deve indicar com mais clareza o ritmo da recuperação; segundo o documento, a Selic deve se manter em 6,5% ao ano

Fernando Nakagawa e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2018 | 08h37

Após manter a Selic (a taxa básica de juros) em 6,5% ao ano, o Banco Central procurou não se comprometer com os próximos passos de sua política monetária. Na ata da reunião da semana passada, publicada ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC limitou-se a dizer que, daqui para frente, suas decisões sobre juros dependerão da atividade, dos riscos e das projeções de inflação.

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“Em termos de sinalização futura, todos (os membros do Copom) concordaram que o maior nível de incerteza da atual conjuntura recomenda se abster de fornecer indicações sobre os próximos passos da política monetária”, disse o BC na ata. Na prática, a instituição não passou nenhuma indicação firme sobre se a Selic vai subir, cair ou se manter em 6,5%.

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Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, o BC está correto em não fixar nenhuma decisão, em meio à turbulência atual e à necessidade de monitorar possíveis efeitos secundários da greve dos caminhoneiros e da alta do dólar sobre a inflação. “Não faz mais sentido dizer que a Selic vai ficar estável por um bom tempo.”

Ainda assim, Vale espera pela manutenção da taxa básica no atual nível até o fim de 2018. “A fraqueza da economia é mais relevante agora e não há sinais de contaminação de choque na inflação de forma permanente. Por isso não há justificativa para uma alta de juros neste momento.”

O Banco Central reconheceu que o ritmo de recuperação da economia brasileira deve ser mais lento que o previsto antes da greve. Os membros do Copom disseram que o chamado cenário básico – aquele considerado mais provável pelo colegiado – “contempla continuidade do processo de recuperação da economia, embora em ritmo mais gradual que o estimado antes da referida paralisação”.

Ainda sobre a paralisação que atrapalhou a atividade econômica em todo o Brasil, os diretores do BC dizem que os dados referentes ao mês de abril “sugerem atividade mais consistente que nos meses anteriores”. A greve dos caminhoneiros, porém, “dificulta a leitura da evolução recente da atividade econômica”.

Já os efeitos da greve sobre a inflação devem ser temporários. “No curto prazo, a inflação deverá refletir os efeitos altistas significativos da paralisação no setor de transporte de cargas e de outros ajustes de preços relativos”, diz o BC.

Por outro lado, ao avaliar o cenário externo, o BC reconheceu que o processo de alta de juros nos EUA gera risco crescente para os mercados emergentes, o que pode elevar a volatilidade./ COLABOROU THAÍS BARCELLOS

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