Kim Heel-Chul/EFE
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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Com guerra comercial, cautela predomina nos mercados internacionais

Reflexos da disputa entre Estados Unidos e Brasil podem afetar ativos no Brasil, onde os investidores acompanham a volta das discussões sobre a reforma da Previdência no Congresso

Silvana Rocha e Luciana Xavier, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 08h35

A semana começa com os mercados atentos aos desdobramentos da ameaça dos Estados Unidos de impor tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações da China, a partir de 1.º de setembro, o que pode afetar também os ativos no Brasil nesta segunda-feira, 5.

Reforma da Previdência volta a ser discutida

Depois de quase 20 dias de recesso no Congresso Nacional, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou oito sessões de plenário para discussão e votação em segundo turno da reforma da Previdência entre terça e quinta-feira. 

O primeiro turno da proposta foi aprovado no dia 12 de julho no plenário da Casa e incluiu mudanças que suavizaram as regras para homens, mulheres, professores e policiais. A economia total esperada com a reforma em dez anos chega a R$ 933,5 bilhões.

Para ficar de olho nesta semana 

Nesta terça-feira, sai a ata da uma última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quando a Selic, a taxa básica de juros do País, foi reduzida de 6,5% para 6% ao ano. O mercado deve buscar no documento referente ao encontro de julho sinais sobre os próximos cortes.

Segundo economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, o BC deu fortes indicações no comunicado de que deve haver nova queda de 0,50 ponto porcentual na reunião de 17 e 18 de setembro. A dúvida é sobre as decisões a partir de outubro, considerando-se os riscos com o desfecho da tramitação da reforma da Previdência e com o cenário externo. 

Ficam no radar dos investidores nesta semana também o resultado das vendas no varejo de junho, na quarta-feira, a divulgação, na quinta, do IPCA - índice oficial de inflação - de julho e da pesquisa mensal de serviços de junho, na sexta.

Além disso, uma nova rodada de reuniões deve acontecer entre representantes do ministério da Infraestrutura e dos caminhoneiros para discutir a tabela de frete mínimo. 

Caixa divulga calendário de saques do FGTS

A Caixa deve divulgar nesta segunda-feira o cronograma para o saque dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS/Pasep. Sobre a medida, analistas do mercado estimam que a injeção potencial de cerca de R$ 42 bilhões na economia pode ter um impacto no PIB de 0,55 ponto porcentual em quatro trimestres, superior ao previsto pelo governo, de 0,35 ponto porcentual

O presidente do banco, Pedro Guimarães, convidou parlamentares da bancada do Nordeste para um café da manhã, na quarta-feira, depois que o Estadão/Broadcast revelou que a instituição reduziu a concessão de novos empréstimos para a Região em 2019, até julho, a cerca de R$ 89 milhões, apenas 2,2% do total distribuído para todo o País, de R$ 4 bilhões. 

Na sexta-feira, depois da publicação da reportagem, a Caixa liberou um empréstimo de R$ 133 milhões para a prefeitura de São Luís (MA), para bancar obras de infraestrutura. O crédito vem depois também de Bolsonaro ter chamado os governadores do Nordeste de "paraíbas". 

Disputa entre EUA e China afeta Bolsas

Fonte ligadas às negociações comerciais entre Estados Unidos e China colocam em dúvida a continuidade das conversas após a nova ameaça tarifária feita por Donald Trump na semana passada. 

A imprensa internacional informou que Pequim pediu para que algumas empresas estatais detenham as compras de produtos agrícolas americanos e o Banco do Povo da China permitiu que o dólar rompesse o nível psicológico de 7 yuans pela primeira vez desde 2008, alegando que a desvalorização da moeda doméstica é resultado do protecionismo comercial e das tarifas mais altas sobre produtos chineses aplicadas pelos EUA. O temor dos investidores é de que o acirramento da guerra comercial piore o quadro de desaceleração global.

As Bolsas europeias e os futuros de Nova York têm queda de mais de 1% nesta segunda-feira. No começo da manhã, o Dow Jones caía 1,09%, enquanto o S&P500 futuro perdia 1,18% e o Nasdaq futuro recuava 1,57%. A Bolsa de Londres recuava 1,84%, a de Frankfurt perdia 1,31%, a de Paris caía 1,78%. O euro subia para US$ 1,1152, de US$ 1,1111 no fim da tarde de sexta-feira.

Mais uma vez, as Bolsas asiáticas tiveram perdas. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 1,74%. Na China, o Xangai Composto recuou 1,62%, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto cedeu 1,47%. Na Bolsa de Seul, o índice Kospi despencou 2,56%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, cedeu 2,85%, enquanto o australiano S&P/ASX 200 recuou 1,90%. Às 7h13, o dólar estava a 106,15 ienes, ante 106,64 ienes no fim da tarde de sexta-feira.

Petróleo tem queda

Os contratos futuros de petróleo têm queda nesta segunda, seguindo a onda de aversão a risco que atinge os mercados financeiros. Na avaliação do Bank of America Merrill Lynch, esse recrudescimento da relação bilateral entre EUA e China tem potencial para enfraquecer a demanda por petróleo em até 500 mil barris por dia. Às 7h11, o barril do Brent para outubro caía 0,89%, a US$ 61,34 o barril na ICE, em Londres. O petróleo WTI para setembro recuava 0,75%, a US$ 55,24 o barril.

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