Com GVT, Telefônica passa a disputar liderança em banda larga com a NET

Compra da operadora brasileira pela empresa espanhola, dona da Vivo no Brasil, dá à Telefônica uma participação de mercado no segmento de banda larga de 30,6%; acordo, avaliado em US$ 9,2 bilhões, está sujeito à aprovação do Cade e da Anatel

O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2014 | 02h12

O grupo francês Vivendi anunciou, ontem, a conclusão do acordo para vender a operadora GVT para a Telefônica, em um negócio bilionário que dará à companhia espanhola mais poder de competição no mercado de banda larga, liderado no Brasil pela NET, da mexicana América Móvil.

Segundo dados de julho da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a NET detém cerca de 30,4% do mercado de banda larga fixa do País, enquanto a Telefônica aparece em terceiro lugar, com 18,7%, seguida pela GVT, com 11,9%. Como as operações da Telefônica Brasil e da GVT não se sobrepõem intensamente, é possível somar as participações de Telefônica com GVT, afirmou um analista do setor que pediu para não ser identificado. A GVT tem forte atuação fora de São Paulo, Estado em que a Telefônica está presente com o serviço fixo.

Com a GVT, a fatia da Telefônica Brasil na banda larga fixa deve passar para 30,6%, praticamente empatando com a participação da NET.

Além de reforçar a presença do grupo espanhol em banda larga fixa no Brasil, o anúncio da compra da GVT resolve em parte as preocupações de reguladores brasileiros sobre as participações diretas e indiretas detidas pelo grupo espanhol no mercado nacional de telecomunicações, disseram fontes do governo federal.

O acordo é avaliado em cerca de US$ 9,29 bilhões e está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A operação em duas etapas deixará , no fim, a Vivendi com uma participação de 7,4 % na Telefônica Brasil, que atua no País sob a marca Vivo, e com fatia de 8,3% no capital votante da Telecom Itália, dona da TIM. Esse ponto é visto com certa preocupação por reguladores brasileiros, ainda que o grupo francês fique com uma fatia minoritária na Vivo (leia mais acima).

Para a Telefônica Brasil, que é líder em telefonia móvel no País, o acordo vem um momento em que as empresas de telecomunicações buscam cada vez mais oferecer pacotes de celular e serviços de telefonia fixa, incluindo internet banda larga e TV. A empresa estimou sinergias de pelo menos 4,7 bilhões no Brasil com a compra da GVT.

Para a Vivendi, a venda da GVT coroa uma tumultuada reestruturação de dois anos, em que vendeu três negócios de telecomunicações e seu braço de videogames para pagar dívida e se concentrar mais em mídia e conteúdo, como parte de uma estratégia defendida pelo presidente do conselho da companhia, Vincent Bolloré.

Parte da busca da Vivendi por conteúdo vai se dar na Itália por causa de sua nova participação na Telecom Itália na sequência da venda da GVT, que a empresa espera que será concluída em meados de 2015, após aprovação regulatória.

Consumidor. Para Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, a aquisição da GVT pela Telefônica é "neutra" do ponto de vista do consumidor. "Elas têm atuação complementar", disse. A GVT, que não tem o serviço de telefonia móvel, está presente em 20 Estados brasileiros mais o Distrito Federal. A Telefônica tem atuação nacional apenas na telefonia celular. Quando o assunto é telefonia fixa, banda larga e TV por assinatura, seus clientes estão concentrados no Estado de São Paulo.

Para a Telefônica, a aquisição é um bom negócio porque representa uma maneira de chegar aos outros Estados mais facilmente. Para a Vivendi, além de estar alinhada com os interesses da companhia, a venda rendeu quantia bem maior do que os estimados 2,7 bilhões desembolsados pela companhia para adquirir a GVT em 2009. / REUTERS E NAYARA FRAGA

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