Com ibi, fatia do Bradesco em cartões sobe a 22%

Com a aquisição do banco ibi, anunciada pela manhã, o Bradesco elevará sua fatia no mercado brasileiro de cartões de crédito de 19 para 22 por cento, disse o vice-presidente responsável pela área de cartões do banco, Marcelo Noronha.

REUTERS

05 Junho 2009 | 16h34

Segundo ele, os dois maiores motivadores para a operação são o ganho de escala -- com a operação, o Bradesco dobra sua base de clientes de cartões de crédito -- e o aumento da rede de distribuição, por meio da parceria com as lojas C&A.

"Não fizemos apenas a aquisição de um banco, mas de uma parceria que vai nos somar 303 pontos-de-venda espalhados pelo Brasil", disse Noronha, em teleconferência com jornalistas.

Mais cedo, o Bradesco anunciou a compra do ibi, braço financeiro das lojas C&A, por cerca de 1,4 bilhão de reais em ações. A transação inclui um acordo de 20 anos para o Bradesco ser fornecedor exclusivo de produtos e serviços financeiros da rede de varejo.

O valor a ser pago aos acionistas do ibi, o grupo suíço Cofra que também controla a holandesa C&A, representa aproximadamente 1,6 por cento do capital social do Bradesco.

Com a aquisição, o Bradesco eleva sua base de cartões de crédito private label de 13,3 milhões para 34,1 milhões, segundo dados do fim de 2008 divulgados pelo banco.

Ao mesmo tempo, o Bradesco adiciona faturamento de 9,9 bilhões de reais à operação de cartões de crédito, segundo dados do fim de 2008, para 56,5 bilhões de reais. O ibi tinha em dezembro um patrimônio líquido de 928 milhões de reais e ativos totais de 5,6 bilhões de reais.

Noronha evitou antecipar qual será o destino de acordos feitos pelo ibi que o Bradesco não tiver o interesse em manter. Uma das principais é a parceria com a Odontoprev, que envolve cerca de 250 mil pessoas, o que equivale a 10 por cento da base de clientes da operadora de serviços odontológicos.

"Todos os acordos derivados serão vistos oportunamente", despistou Noronha.

Em relatório, a corretora Itaú considerou que, devido à falta de experiência no ramo, o Bradesco pode preferir rescindir o contrato com a Odontoprev.

Em relação às taxas de inadimplência da carteira do ibi, Noronha disse que o índice está em linha com a média do mercado, de cerca de 9,9 por cento para operações vencidas há mais de 90 dias. Por isso, o Bradesco descarta, por enquanto, a necessidade de provisionar recursos adicionais para perdas esperadas com mau pagadores.

(Reportagem de Aluísio Alves e Alberto Alerigi Jr.)

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