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Com IGP-M reduzido, preços administrados devem cair em 2006

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) atingiu em 2005 a menor taxa anual de sua série histórica, iniciada em 1989, e subiu apenas 1,21% no ano, resultado dez vezes inferior ao registrado em 2004 (12,41%). O economista do Instituto Fecomércio-RJ, João Carlos Gomes, explica que a taxa acumulada do indicador é usada para reajustar preços administrados de peso, como aluguel, energia elétrica e mensalidade de TV a cabo. Por isso, como o IGP-M de 2005 registrou taxa reduzida, os reajustes nesse tipo de preço serão menores no próximo ano, o que reduz a perspectiva de inflação para o período. "Esta é uma boa indicação para o rumo dos preços administrados em 2006, a medida em que os próximos reajustes tendem a ser menores do que os observados este ano", afirmou Gomes.O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, tem a mesma posição. "Por subirem muito acima da inflação, todo o ano, os administrados são apontados como os vilões da inflação. Agora, eles serão os mocinhos", brincou.Ao detalhar o comportamento da inflação em 2005, medida pelo IGP-M, Quadros considerou que houve duas forças atuando na inflação em 2005. De um lado, os preços administrados, principalmente combustíveis, puxando os preços para cima; e do outro lado, alimentos e produtos diretamente influenciados pelo dólar puxando os preços para baixo.Entre os exemplos de forças contrárias atuando no cenário de preços este ano Quadros citou o comportamento de dois setores no atacado: o de combustíveis e lubrificantes, cujos preços subiram 10,56% no ano; e o de Ferro, Aço e Derivados, cujos preços caíram 7,17% em 2005. Enquanto o primeiro grupo foi afetado pelo "choque de petróleo" este ano, o segundo foi favorecido pela valorização cambial."Momento passageiro"Porém, Quadros comentou que a pequena elevação de 1,21% em 2005, na verdade, é "um momento passageiro" na inflação e não deve constituir tendência sustentável. Quadros não acredita que uma taxa anual tão baixa possa se repetir tão cedo. Isso porque foi provocada por uma valorização cambial fortíssima, que não deve se repetir. "Do final de 2004 até setembro de 2005, período mais forte da valorização cambial, o dólar caiu em torno de 20%. É muita coisa", disse o economista. Quadros considerou "improvável" que o IGP-M de janeiro registre deflação, como a apresentada pelo indicador de dezembro (-0,01%). Isso porque o mês de janeiro é conhecido historicamente por ser um período que abrange o impacto de vários reajustes em tarifas e preços administrados. Entre os reajustes de administrados previstos para impactar a inflação em janeiro estão o impacto de mensalidades escolares; e tarifa de ônibus urbano no Rio de Janeiro.

Agencia Estado,

29 de dezembro de 2005 | 18h05

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