Werther Santana/Estadão - 31/3/2020
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Com impacto da pandemia, Azul tem prejuízo de R$ 2,9 bi no 2º trimestre

No pior momento da crise, em abril, a companhia chegou a ter apenas 70 voos por dia e espera atingir 400 decolagens diárias em setembro

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 10h15

Atingida em cheio pela pandemia do novo coronavírus, a companhia aérea Azul reportou prejuízo líquido de R$ 2,9 bilhões no segundo trimestre de 2020, ante um lucro líquido de R$ 351,6 milhões em igual trimestre de 2019.

Desconsiderando ajustes cambiais, a empresa reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 1,49 bilhão no segundo trimestre de 2020, ante lucro líquido ajustado de R$ 110,1 milhões um ano antes.

“O segundo trimestre de 2020 foi, sem dúvida, o mais desafiador da história da aviação”, afirmou o presidente da companhia aérea, John Rodgerson, no material de divulgação do balanço nesta quinta-feira, 13.

A empresa registrou uma receita líquida R$ 401,6 milhões no trimestre, redução de 84,7% na comparação anual, devido ao impacto da pandemia da covid-19 na demanda de passageiros.

Rodgerson afirmou que, apesar de todas as dificuldades do setor, a empresa está preparada para atravessar a crise provocada pela covid-19 e tem caixa para isso. "Acredito que nossa liquidez seja suficiente para nos ajudar durante esta crise desafiadora. Também estou confiante de que seremos capazes de acessar capital adicional, se e quando for necessário", disse no documento.

O grupo fechou o segundo trimestre com um total de caixa, recebíveis e investimentos de R$ 3 bilhões, queda de 28,6% na comparação com igual trimestre de 2019 e recuo de 3,4% ante o trimestre imediatamente anterior. Incluindo ativos disponíveis e reservas de manutenção, a liquidez total foi de R$ 6,6 bilhões no encerramento do período.

"Como resultado das negociações com nossos parceiros e da implementação de iniciativas de redução de custos, seremos capazes de economizar ou diferir mais de R$ 7 bilhões em saídas de caixa entre março de 2020 e dezembro de 2021, construindo a liquidez necessária para enfrentarmos esta crise", acrescentou o executivo.

O executivo destacou ainda uma retomada da demanda. Depois de registrar pico de 70 voos por dia em abril, pior momento da pandemia, o grupo espera atingir 400 decolagens diárias em setembro. A empresa tem capacidade para mais de 900 voos por dia.

Cargas e outras receitas da companhia tiveram recuo 8,5%, totalizando R$ 119,1 milhões, "relacionado principalmente com a queda de 0,8% na receita de cargas comparado com o 2T19, apesar da redução de capacidade de 83%, e a diminuição de receitas da Azul Viagens, nossa operadora de turismo", explicou o grupo, em nota.

A Azul disse esperar uma redução de 40% na despesa com salários no segundo semestre ante os níveis pré-covid-19. O grupo conseguiu fechar uma negociação com aeronautas e aeroviários para cortar jornada e remuneração.

Retomada

A Azul apontou que a demanda do mercado de aviação tem reagido melhor do que o esperado. "Quando criamos esse plano, assumimos uma recuperação conservadora da demanda de aproximadamente 40% dos níveis pré-covid no final de 2020. A recuperação da demanda tem evoluído de forma mais rápida do que o esperado, e as nossas projeções atuais indicam uma retomada em torno de 60% no final do ano", destacou a empresa.

Na quarta-feira, 12, a Azul e a Latam iniciaram o compartilhamento de voos para 64 rotas domésticas no Brasil. O acordo, anunciado em junho, tem por objetivo elevar a demanda por passagens, ao conectar um maior número de cidades brasileiras, e envolve também os programas de fidelidade.

Em mais um movimento para ampliar a oferta de voos, na terça-feira, 11, a companhia lançou sua subsidiária para o mercado de voos regionais, a Azul Conecta, tendo como objetivo chegar a 200 cidades nos próximos anos. Hoje, a cobertura conjunta das duas é de 152 municípios.

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