Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Com estímulos fiscais nos EUA e covid-19, mercados internacionais fecham sem sentido único

Investidores continuam atentos às negociações entre o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e os democratas sobre um novo pacote de estímulos fiscais

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2020 | 07h32
Atualizado 20 de outubro de 2020 | 18h23

As Bolsas da Ásia e da Europa fecharam sem direção única nesta terça-feira, 20, em meio a persistentes dúvidas sobre a capacidade do governo dos Estados Unidos e da oposição democrata de chegarem a um acordo sobre um novo pacote fiscal e monitorando a disseminação da covid-19 pelo mundo. Em Nova York, no entanto, a chance de novas medidas de incentivo fizeram as bolsas fecharem em alta.

Investidores continuam atentos às negociações entre o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e os democratas sobre um novo pacote de estímulos fiscais, em reação à pandemia do novo coronavírus. Na segunda-feira, 19, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, voltou a se dizer esperançosa de que um acordo seja fechado até o fim desta terça-feira para que haja tempo hábil de um pacote fiscal ser aprovado no Congresso antes das eleições de 3 de novembro. Pelosi e o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, retomaram as conversas sobre o tema no final da tarde desta terça.

Um possível obstáculo para um acordo é a bancada republicana do Senado. O líder republicano na Casa, Mitch McConnel, afirmou que os senadores poderiam considerar um pacote fiscal mais elevado, se houver acordo entre a oposição e a Casa Branca. Reportagem do jornal Washington Post a partir de fontes, porém, sugeriu que McConnell recomendou à Casa Branca que espere até a eleição, com o argumento de que Pelosi não mostra boa-fé no diálogo e também de que a tramitação do pacote poderia atrapalhar a confirmação de Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, na próxima semana.

Também permanece no radar o avanço da covid-19 em partes do mundo, em especial na Europa e nos EUA. Na segunda, o total global de casos de infecção pela doença ultrapassou 40 milhões. Uma possível nova onda da doença causa preocupação principalmente no velho continente. Na última segunda-feira, 19, a Irlanda decretou confinamento a partir da quarta-feira. O país é o primeiro da  União Europeia a tomar tal medida. Na Itália, os números de novos casos seguem altos, com medidas locais de restrição sendo avaliadas.

Bolsas da Ásia 

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,44% em Tóquio, pressionado por ações dos setores ferroviário e automotivo, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,50% em Seul, o Hang Seng teve leve alta de 0,11% em Hong Kong e o Taiex recuou 0,36% em Taiwan.

Na China continental, os mercados ficaram no azul, embora o banco central do país (PBoC) tenha deixado suas taxas de juros de referência inalteradas pelo sexto mês consecutivo. O Xangai Composto subiu 0,47% e Shenzhen Composto se valorizou 1,33%. Na Oceania, a Bolsa australiana se enfraqueceu com as incertezas sobre o pacote fiscal americano e caiu 0,72% em Sydney.

Bolsas da Europa 

Na Europa, o Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), ainda causa expectativa. Tanto o banco dinamarquês Danske Bank quanto a consultoria de risco político Eurasia ainda acreditam que a chance de um acordo é de 60% até o fim deste ano, apesar do prazo para um acordo ter se esgotado na semana passada. 

Com as incertezas do dia, o Stoxx 600 fechou em baixa de 0,35%, enquanto Paris caiu 0,27%, Lisboa cedeu 1,02% e Frankfurt recuou 0,92%, após os preços ao produtor da Alemanha caírem 1% na comparação anual de setembro. Já Londres, Milão e Madri tiveram altas de 0,08%, 0,56% e 0,98%.

Bolsas de Nova York

Em Nova York, o investidor viu com grande expectativa a nova rodada de conversas entre Pelosi e Mnuchin, mas o temor de que um acordo concreto não saia antes da eleição de 3 de novembro segurou os ganhos nas bolsas locais. Hoje, Dow Jones avançou 0,40%, o S&P 500 subiu 0,47% e o Nasdaq ganhou 0,33%.

Entre ações em foco, Alphabet (Google) subiu 1,38%, mesmo após a notícia de que o Departamento de Justiça dos EUA levará adiante uma ação antitruste contra o Google. Apple subiu 1,32%, mas Netflix recuou 1,00% (ainda antes do balanço, que saiu logo após o fechamento), IBM cedeu 6,49% após resultados ontem e Intel teve baixa de 2,11%.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta terça, com a possibilidade de novos estímulos nos EUA. Porém, antes das declarações da presidente da Câmara americana, a commodity oscilava entre altas e baixas, com os investidores atentos ao Comitê de Monitoramento Ministerial Conjunto (JMMC, na sigla em inglês) da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) que não mencionou, após uma reunião, a possível extensão do acordo de cortes na produção para 2021 - o pacto entre os países membros do grupo vale até dezembro deste ano.    

"Tem havido pedidos crescentes para que a Opep+ cancele o plano de redução de cortes a partir de 1º de janeiro, dado que a recuperação da demanda estagnou, enquanto a produção da Líbia continua crescendo", afirmam estrategistas de commodities do banco holandês ING. De acordo com a Reuters, a Rússia pode apoiar a manutenção dos cortes no nível atual para além de 2020 se os mercados mundiais piorarem com a aceleração da pandemia.

Hoje, o barril do WTI para dezembro avançou 1,56%, a US$ 41,70, enquanto o contrato do Brent para o mesmo mês subiu 1,27%, a US$ 43,16 o barril./SÉRGIO CALDAS, MAIARA SANTIAGO, GABRIEL BUENO DA COSTA E IANDER PORCELLA

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