Lee Jin-man/AP Photo
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Mercados internacionais fecham sem sentido único com impasse sobre pacote fiscal nos EUA

Em comício na noite de quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou os democratas de não estarem dispostos a fechar um acordo aceitável para novos estímulos fiscais

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 22 de outubro de 2020 | 17h41

As bolsas da Ásia, do Pacífico e da Europa fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, 22, diante do lento ritmo das negociações entre o governo dos Estados Unidos e a oposição democrata para o lançamento de um novo pacote fiscal em reação à pandemia de coronavírus. Já as bolsas de Nova York encerraram em alta, apesar de encararem a chance de um acordo com muita cautela.

Nos Estados Unidos, o impasse em torno de novos estímulos continua, deixando os índices do exterior sem direção única. Em comício na noite de quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou os democratas de não estarem dispostos a fechar um acordo aceitável para novos estímulos fiscais, horas depois de relatos sobre novos avanços nas negociações.

Já na manhã desta quinta-feira, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, foi totalmente na contramão das falas do presidente, ao sinalizar em entrevista à MSNBC, que uma nova legislação de alívio fiscal pode ser aprovada na Casa antes da eleição de 3 de novembro. 

Porém, adicionando ainda mais confusão para uma situação já sem rumo definido, o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse nesta quinta que há ainda "divergências significativas" entre as partes e comentou que o tempo está passando, o que dificulta um acordo antes da eleição de 3 de novembro.

Bolsas da Ásia 

A região da Ásia e do Pacífico vai sofrer este ano uma contração econômica mais severa do que se pensava inicialmente, uma vez que vários mercados emergentes locais apresentaram forte desaceleração em meio ao combate da pandemia do novo coronavírus, segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em relatório econômico regional, o órgão prevê que o PIB da Ásia e do Pacífico terá queda de 2,2% em 2020. Em junho, a previsão era de retração de 1,6%. O FMI disse que a revisão se deve a "uma contração mais intensa, principalmente na Índia, nas Filipinas e na Malásia. Por outro lado, o Fundo revisou para cima sua projeção de crescimento da China este ano, de 1% para 1,9%, em função de uma recuperação maior do que se esperava no segundo trimestre.

Em resposta, o Nikkei caiu 0,70% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 0,67% em Seul. Já os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto perderam 0,38% e 0,49% cada. No entanto, Hong Kong e de Taiwan foram exceção e ganharam 0,13% e 0,31% cada. A bolsa australiana caiu 0,29%.

Bolsas da Europa 

No velho continente, os ruídos do Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia, continua chamando a atenção nos mercados locais, devido ao fato de que um acordo comercial ainda não foi fechado pelos dois blocos. A demora preocupa, já que algum tipo de pacto deveria ter sido anunciado no último dia 15 de outubro.

Enquanto isso, na agenda de indicadores, o índice de confiança do consumidor da zona do euro caiu de -13,9 em setembro a -15,5 em outubro, segundo dados preliminares da Comissão Europeia, ante previsão de -15,0 dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. Já na Alemanha, o índice GfK de confiança do consumidor para novembro recuou a -3,1, abaixo da expectativa de -3,0 dos analistas. 

Por lá, a bolsa de Londres foi a única a ir na contramão e encerrar com alta de 0,16%, enquanto o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 0,14%. Já a bolsa de Frankfurt caiu 0,12% e a de Paris recuou 0,05%. Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 0,05%, 0,22% e 0,52%.

Bolsas de Nova York

Entre os investidores de Nova York, além de um acordo, havia também nesta quinta expectativa pelo debate entre o presidente Donald Trump e seu rival, Joe Biden, nesta noite. Além disso, o avanço da covid-19 em partes do país, como o Meio-Oeste, está no radar, já que pode significar à frente novas interrupções na atividade e prejudicar a confiança. A TD Securities destaca o quadro na região citada, ao lembrar que no Meio-Oeste ocorre aumento não apenas nas taxas de casos positivos para o vírus, mas também nas hospitalizações.  

Hoje, o Dow Jones fechou em alta de 0,54%, o S&P 500 subiu 0,52% e o Nasdaq avançou 0,19%. No setor corporativo, a ação da AT&T subiu 5,88%, após balanço que agradou o mercado, e Coca-Cola teve ganho de 1,38% após seus resultados. American Airlines subiu 3,18%, depois de balanço com prejuízo no terceiro trimestre e resultado inferior ao projetado por analistas, mas com reação do papel ao longo do dia.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo venceram o dólar forte e fecharam em alta hoje, em processo de correção após robustas perdas da véspera. A renovada esperança por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos ajudou a impulsionar as cotações, também favorecidas por especulações sobre possível continuidade dos cortes na produção global da commodity. 

Hoje, o barril do WTI com para dezembro subiu 1,52%, a US$ 40,64, enquanto o contrato do Brent para o mesmo mês avançou 1,75%, a US$ 42,46 o barril. Na sessão desta quinta, ajudou também o suporte da expectativa para que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, junto com aliados (Opep+), mantenha cortes na produção para além deste ano, em um esforço para garantir o equilíbrio entre oferta e demanda.

Conforme noticiou a Bloomberg, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que o país não descarta adiar os aumentos na oferta de petróleo programados pelo grupo. "Não descartamos a possibilidade de manter as atuais restrições à produção, ou de não retirá-las tão cedo quanto planejamos anteriormente", declarou./MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO E GABRIEL BUENO DA COSTA

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