Com incertezas no radar, analistas mudam carteiras pontualmente

Com incertezas no radar, analistas mudam carteiras pontualmente

A Quantitas, por exemplo, trocou Banco do Brasil por Itaú Unibanco; a Lerosa optou por excluir Suzano, em função do desempenho do preço da celulose

Karin Sato, Impresso

26 Junho 2017 | 12h12

Enquanto não há definições na política e na economia, os analistas seguem promovendo alterações pontuais nas carteiras recomendadas. A Quantitas, por exemplo, trocou Banco do Brasil por Itaú Unibanco. Embora ambas ações tenham elevada correlação com o risco do ambiente macroeconômico, a corretora avalia que a do Itaú é um pouco menor.

Apesar de o objetivo da troca ter sido reduzir o risco da carteira, que conta com mais ações expostas à recuperação da economia – Petrobrás, Multiplan, Lojas Americanas e Guararapes –, o gestor Wagner Salaverry não está pessimista com o cenário atual. “Independentemente da política, que em algum momento vai ter de se acertar, o que estamos vendo é queda de juros e alguma recuperação da economia. É uma boa sinalização para a bolsa de valores”, afirma.

A Lerosa optou por excluir Suzano, em função do desempenho do preço da celulose. “Na China, a indicação é de estabilidade nos preços nas últimas semanas, sinalizando a possibilidade de que o ciclo de altas pode ser revertido no curto prazo, diante de perspectivas de maior oferta”, explica o analista Vitor Suzaki. O papel foi substituído por Petrobrás, por dois motivos: o petróleo, que tende a se estabilizar no atual patamar ou, na pior das hipóteses, testar os US$ 40/barril em NY (ante os atuais US$ 42-43); e a recente notícia de possibilidade de abertura de capital da BR Distribuidora, com impacto positivo na desalavancagem e chance de melhora da governança corporativa.

Já a Guide trocou Hypermarcas, com o objetivo de realizar lucro, por Iochpe-Maxion, que deve ser beneficiada pela queda dos juros.

Nesta semana, os analistas responderam a seguinte pergunta da coluna: a expectativa de venda de ativos tem impulsionado ações de muitas empresas, como é o caso da Petrobrás e da JBS, mas até que ponto abrir mão de receitas futuras é positivo para o investidor de longo prazo? Ricardo Vilhar Peretti, estrategista para pessoa física da Santander Corretora, respondeu que a venda de um ativo pode ser considerada estratégica quando um negócio não faz parte da atuação principal da companhia ou quando vem apresentando resultado decepcionante. “Por outro lado, quando uma companhia está em dificuldades financeiras, vendas de ativos acabam se fazendo necessárias, embora não fossem ideais ou estratégicas para a companhia”, diz Peretti. “Nestes casos, o desinvestimento deveria ser visto como pouco atrativo ou até mal recebido pelo mercado, dado que normalmente o preço de venda se faz com desconto e/ou abaixo do valor justo por causa da ‘pressa’ em levantar recursos”, acrescenta.

Para Felipe Silveira, analista da Coinvalores, vender ativos acaba sendo uma forma de destravar recursos quando há alguma restrição de liquidez na empresa. Mas se o foco do investidor for o longo prazo, vale a pena buscar companhias compradoras – e não vendedoras. “Porém, se o investidor tem apetite para o risco e perfil de curto prazo, empresas com alguma dificuldade, mas com ativos que podem ser objeto de fusão e aquisição, podem ser uma boa aposta”, opina.

Wagner Salaverry, da Quantitas, alerta que companhias que dependem da venda de ativos para seu preço subir na bolsa são mais arriscadas. “Muito provavelmente são endividadas e precisam vender ativos para fazer caixa e pagar as obrigações de curto prazo”, explica.

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