Vincent Yu/AP
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Mercado internacional fecha sem sinal único com incertezas sobre estímulos nos EUA

Preocupação afetou principalmente o mercado asiático, que registrou baixas em torno dos 2%; na Europa e em Nova York, no entanto, a temporada de balanços ajudou os índices

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 07h30
Atualizado 26 de janeiro de 2021 | 18h34

O mercado internacional ficou sem sentido único nesta terça-feira, 26, em um dia de pouco apoio do noticiário. Na Ásia, as Bolsas realizaram lucros, em meio a dúvidas sobre novos estímulos econômicos nos Estados Unidos, enquanto na Europa e em Nova York, uma nova rodada de balanços empresariais deu fôlego para o mercado.

Investidores também se preocuparam com o avanço do coronavírus em vários países e com o ritmo mais lento do que o esperado da vacinação nos EUA. Além disso, há temores sobre variantes do vírus que se disseminam com mais rapidez e podem ser resistentes a imunizantes. Ainda hoje, o mundo ultrapassou a marca de 100 milhões de casos da doença.

A Moderna disse ontem que, por "excesso de zelo", irá testar se há necessidade de uma injeção extra contra novas cepas mais recentes. Já a União Europeia acusa a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca de não ter feito o suficiente para resolver uma disputa sobre quantas doses de sua vacina contra a covid-19 poderá fornecer ao bloco.

Nesse cenário, a atenção se volta para a capacidade de uma das maiores potências do mundo de conseguir liberar mais recursos para manter a economia aquecida. No entanto, após a animação com o anúncio do pacote de US$ 1,9 trilhão feito por Joe Biden, a expectativa agora é se o novo presidente dos EUA vai conseguir aprovar as medidas. Segundo especialistas, é muito mais provável que o pacote seja enxugado para perto dos US$ 800 bilhões ou US$ 900 bilhões - diante desse risco, Biden disse que está "aberto a negociar".

Na Itália, teve fim um longo impasse político, após o primeiro-ministro Giuseppe Conte renunciar ao cargo hoje, em consequência da perda do apoio de um partido da base aliada, pela forma como tem lidado com a pandemia. O presidente Sergio Mattarella inicia amanhã consultas para escolher o substituto de Conte. Vale lembrar que o país foi um dos mais afetados pela primeira onda da covid, no ano passado.

Bolsas de Nova York

O mercado de Nova York fechou em queda, mas perto da estabilidade, em sessão marcada pela volatilidade. A divulgação de balanços do quarto trimestre apoiou os negócios, com 3M, Johnson & Johnson e General Eletric registrando lucros - e alta nos índices -, enquanto VerizonAmerican Express tiveram quedas nas receitas e baixas nas ações.

O Dow Jones fechou em queda de 0,07%, enquanto o S&P 500 caiu 0,15% e o Nasdaq recuou 0,07%. No campo farmacêutico, a Pfizer fechou em alta de 0,08%, apesar das dificuldades que sua vacina enfrenta, especialmente na União Europeia, que envolve até mesmo a suspensão do pagamento por parte da Suécia. Já a Eli Lilly subiu 0,17%, em dia marcado pelo anúncio da eficácia de seu tratamento com anticorpos contra a covid.  

Bolsas da Europa 

Com a falta de impulsos, foi a divulgação da primeira temporada europeia de balanços do ano que segurou os ganhos das Bolsas. O destaque ficou para o banco suíço UBS, que mais do que dobrou seu lucro no quarto trimestre de 2020, fechando com US$ 1,71 bilhão. O bom desempenho levou à compra de papéis de bancos do continente, ajudando os índices - o pan-europeu Stoxx 600, por exemplo, teve ganho de 0,63%.

A Bolsa de Londres subiu 0,23%, enquanto a de Paris avançou 0,93% e a de Frankfurt, 1,66%, todas ajudadas pelo setor bancário. Milão e Madri tiveram ganhos de 1,15% e 0,86%, enquanto Lisboa foi na contramão e caiu 1,49%. 

Bolsas da Ásia

A Bolsa de Tóquio caiu 0,96% em Tóquio, pressionada por ações de montadoras e ligadas a metais, enquanto a de Seul recuou 2,14%, afetada pela queda dos papéis de tecnologia, o que derrubou a Bolsa de Hong Kong, que teve queda de 2,55%. Em Taiwan, a baixa foi de 1,80%.

Na China continental, a Bolsa de Xangai cedeu 1,51% e a de Shenzhen, 1,98%. A Bolsa australiana, a principal da Oceania, não operou nesta terça-feira devido a um feriado local. 

Petróleo 

Os contratos futuros mais líquidos de petróleo fecharam em baixa nesta terça-feira, com investidores repercutindo uma potencial proibição por Joe Biden, de novas concessões de petróleo e gás em terras federais. Além de cumprir uma promessa de campanha, a decisão teria grande impacto na indústria petrolífera dos EUA e poderia gerar disputa entre o setor e o governo do país.

Com isso, o barril do WTI para março recuou 0,30%, a US$ 52,61, enquanto o Brent para abril, que agora é o contrato mais líquido, caiu 0,07%, a US$ 55,64 o barril. Já o Brent para março cedeu 0,05%, a US$ 55,91 o barril. Há ainda expectativas quanto aos estoques da commodity na semana nos EUA, que serão divulgados pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) amanhã./ MAIARA SANTIAGO, SERGIO CALDAS, EDUARDO GAYER, MATHEUS ANDRADE E GABRIEL CALDEIRA

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