Werther Santana/Estadão
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Com incertezas sobre venda da PT, Oi perde R$ 1,4 bilhão em cinco dias

As ações da operadora já acumulam queda de 42% no ano, estão sendo impactadas pelo adiamento da assembleia que define a venda

MÔNICA SCARAMUZZO / SÃO PAULO, MARIANA SALLOWICZ /RIO, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2015 | 02h03

As declarações raivosas vindas de Portugal e o adiamento da assembleia que ia decidir sobre a venda dos ativos da Portugal Telecom (PT) derrubaram as ações da Oi na Bolsa brasileira ao longo desta semana. Em cinco dias, a operadora perdeu R$ 1,4 bilhão em valor de mercado.

Diante do movimento crescente dos portugueses pedindo a reversão da fusão entre a Oi e PT, a operadora atingiu, ontem, o valor de R$ 4,2 bilhões - bem abaixo dos cerca de R$ 23 bilhões que ela valia em 2008. Só ontem, os papéis caíram 5,34%, liderando as perdas do Ibovespa. As ações preferenciais da companhia encerraram com queda de 5,34%, a R$ 4,96. No ano, a desvalorização chega a 42%, segundo dados da Economática.

Em meio a essa turbulência, a Oi defendeu ontem que a fusão com a PT está juridicamente concluída e o aumento de capital realizado durante o processo foi homologado, afastando a possibilidade de a união entre as companhias ser desfeita. A operadora disse que foi a principal vítima das aplicações de 897 milhões realizadas pela PT na Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo (GES), que não foram honradas, o que levou a PT a reduzir sua participação na Oi de 37,3% para 25,6%.

O posicionamento da Oi ocorreu depois de o ex-presidente da holding PT SGPS, Henrique Granadeiro, ter defendido o fim da fusão, apesar de ele próprio ter renegociado os termos da união das duas empresas quando ainda era executivo da tele. Na terça-feira, Granadeiro enviou uma carta para o presidente da assembleia-geral da PT, António Menezes Cordeiro, e o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM, órgão regulador do mercado português), apoiando o fim da união das teles. O sindicato dos trabalhadores da PT em Portugal e o presidente da assembleia dos acionistas da PT, António Menezes, também defendem o fim da fusão.

Venda. A Oi deverá processar Granadeiro por considerar suas declarações "infundadas", segundo uma fonte. Os acionistas da Oi acreditam que o melhor caminho para a companhia é a venda dos ativos portugueses da PT. "Todo mundo fala o que é melhor para Oi ou para PT SGPS (que detém os 25,6% da companhia), mas ninguém fala sobre o que é melhor para a PT. A PT precisa de um dono que valorize seus ativos. E a Oi, neste momento, não é a melhor opção. A Altice (que ofereceu 7,4 bilhões pela PT) tem condições de exercer esse papel", disse ao Estado Rafael Mora, da Ongoing, um dos acionistas da PT SGPS.

A assembleia, que foi adiada a pedido da CMVM para obter mais esclarecimentos sobre os riscos da venda dos ativos da PT, foi remarcada para o dia 22.

Para a Oi, a assembleia de acionistas da PT SGPS é a melhor oportunidade para assegurar o futuro sustentável da PT Portugal e da Oi. "Esta decisão, que gera mais valor para todos os acionistas, vai beneficiar a empresa portuguesa, resultando numa companhia com baixa alavancagem, preparada para enfrentar os desafios financeiros e operacionais no futuro." A venda desses ativos permitirá à Oi participar do processo de consolidação no Brasil, seja por meio de uma fusão com a TIM Brasil ou com a compra da TIM junto com a Claro e Telefônica.

Na fusão anunciada em outubro de 2013, a operadora PT Portugal tornou-se subsidiária da Oi. Os planos, àquela época, não eram vender os ativos portugueses. A mudança de rumo ocorreu após os escândalos envolvendo a Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo (GES), da família Espírito Santo, dona do Banco Espírito Santo (BES), acionista da PT. A Portugal Telecom investiu em títulos da Rioforte e tomou um calote de 897 milhões, o que provocou a redução da fatia da PT na Oi.

A Oi informou que vem concentrando esforços no apoio à apuração dos fatos para contribuir com as devidas responsabilizações pelos atos praticados, e tomará todas as medidas pertinentes, "pois é a principal vítima das aplicações realizadas na Rioforte".

Recentemente, a auditoria PwC divulgou um relatório, encomendado em agosto passado pela PT SGPS, para apurar os responsáveis por essa aplicação. Embora não tenha apontado o responsável por essa aplicação na Rioforte, o documento detalha, em ordem cronológica, que o alto escalão da PT e do BES sabiam das operações financeiras em títulos podres, incluindo executivos como Granadeiro, Zeinal Bava, ex-presidente da Oi, Luís Pacheco de Melo, vice-presidente do conselho de administração da PT e CFO da PT SGPS, e Ricardo Salgado, dono do BES.

Granadeiro, em carta enviada no dia 13, também disse que Bava sabia das operações. Na quinta-feira, a PT SGPS divulgou informações adicionais sobre a venda da operadora PT Portugal para a francesa Altice. No documento, informa que caso seja comprovado que Bava sabia das aplicações na Rioforte, significará que a companhia brasileira também tinha conhecimento dos investimentos, "pelo menos na pessoa de seu CEO". Se isso for comprovado, a PT SGPS poderia renegociar os termos da permuta, que culminou na redução de fatia da PT na Oi.

A Oi reitera que não sabia dessas aplicações e que pediu esclarecimentos a Bava. Segundo fontes, se comprovado que Bava sabia da operação, isso não significa que os acionistas brasileiros tinham conhecimento das aplicações. "Todo mundo foi enganado. Os acionistas da PT só ficaram sabendo nos últimos meses sobre as operações financeiras da Rioforte", disse uma fonte.

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