Com inflação alta, carteira de investimento deve passar por revisão

Aderir a títulos do Tesouro Direto e fundos de investimentos indexados à inflação são a principal recomendação de especialistas no assunto

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2011 | 00h00

Em tempos de inflação os investidores precisam rever as suas carteiras de aplicação e reequilibrá-las para garantir alguma rentabilidade. A recomendação tornou-se bordão entre os especialistas em finanças pessoais nas últimas semanas.

"Inflação mexe bastante com o investimento. Não nominalmente, mas o ganho obtido passa a ser irreal, já que o dia a dia fica mais caro", explica Liao Yu Chieh, professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo).

Segundo os especialistas consultados, há basicamente duas modalidades de aplicação que protegem o investidor da inflação: títulos atrelados a ela e algumas ações específicas.

Alexandra Almawi, economista da Lerosa Investimentos, sugere, por exemplo, a aquisição de NTN-Bs ou LTNs (ambas são letras do Tesouro Direto). "As NTN-Bs pagam a inflação mais 5% ou 6% de juro real ao ano. As LTNs também são uma boa alternativa e pagam no total 12,60% ao ano", sugere.

A negociação dos títulos do Tesouro é simples e pode ser feita por meio do site www.tesouro.fazenda.gov.br, após abertura de conta em uma corretora. O recomendável é ficar com esses títulos na carteira por, pelo menos, sete meses, para que não haja forte incidência de Imposto de Renda, comenta Alexandra. O ideal, no entanto, é mantê-lo até o dia de seu vencimento.

Para Rogério Bastos, diretor da consultoria FinPlan, outra opção interessante são fundos de investimentos atrelados à inflação. "Hoje há algumas opções boas nessa modalidade. Em geral, esses fundos levam a "inflação" no nome, é fácil encontrá-los", recomenda.

No caso dos fundos, os interessados devem ter atenção às taxas de administração cobradas pelas instituições que administram o investimento. Esse custo é sempre cobrado em cima da rentabilidade obtida.

Para demonstrar a força da inflação neste ano, Alexandra lista a rentabilidade obtida em alguns investimentos no primeiro trimestre de 2011. Para começar, o IPCA (índice oficial medidor da inflação) que subiu 2,54% nos primeiros três meses do ano. A poupança rendeu 1,77% no período; os CDBs que pagam 99% ou mais do CDI subiram 2,60%; a Bovespa perdeu 1,04%; e os fundos de renda fixa subiram 2,97%, se mostrando a única modalidade mais rentável que a inflação.

Ações. Na renda variável também é possível se proteger da inflação. "Desde que seja no longo prazo", alerta Bastos, da FinPlan. "E longo quer dizer cinco anos, no mínimo", emenda Chieh, do Insper.

Eles explicam que há uma série de ações que são de certa forma indexadas à inflação. As geradoras de energia são um exemplo. Isso porque o produto de geração de caixa é reajustado de acordo com o índice. "As concessionárias de rodovia também têm o pedágio reajustado pela inflação, portanto são outra indicação", completa Alexandra, da Lerosa.

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