Yuri Gripas/Reuters
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Com início da recuperação no 2º trimestre, FMI passa a ver queda de 5,8% no PIB brasileiro em 2020

Projeção anterior era de recuo de 9,1%; mesmo com a melhora nas estimativas para todo o mundo, o Fundo aponta em documento divulgado nesta terça-feira que a pandemia vai aumentar a desigualdade

Ricardo Leopoldo, correspondente, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2020 | 10h18
Atualizado 13 de outubro de 2020 | 16h37

NOVA YORK - O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2020 e passou a ver uma queda de 5,8% ante a retração de 9,1% estimada em junho, aponta o documento Perspectiva Econômica Mundial, cujo título é "Uma longa e difícil ascensão", divulgado nesta terça-feira, 13. Para 2021, o FMI reduziu a previsão de crescimento do País de 3,6% para 2,8%. No longo prazo, o FMI destaca que o produto interno bruto avançará 2,2% em 2025.

A estimativa para o PIB mundial também melhorou, passando de queda de 5,2% para recuo de 4,4%. A revisão, segundo o Fundo , se deve à melhora do nível de atividade global no segundo trimestre, sobretudo em economias avançadas, apoiada em grande parte por medidas fiscais e monetárias extraordinárias para combater a pandemia do coronavírus. Para o próximo ano, o FMI projeta que o indicador global avançará 5,2%, pouco abaixo dos 5,4% previstos em junho.

A economista-chefe do Fundo, Gita Gopinath, disse que a instituição fez uma melhor projeção para o PIB do Brasil para este ano “com a recuperação pouco mais rápida depois do fechamento da economia e o apoio de medidas fiscais.” “A projeção para o próximo ano baixou devido a limites de gastos públicos”, afirmou durante entrevista coletiva sobre o relatório.

Gian Maria Milesi-Ferretti, diretor adjunto do departamento de pesquisa do FMI, acrescentou que o País enfrenta uma “recessão menos grave” devido a ações substanciais de ordem fiscal e monetária que foram adotadas pelas autoridades do governo. “Medidas de auxílio no Brasil precisam ter foco definido e não devem ser retiradas de modo prematuro”, destacou.

As previsões macroeconômicas do Fundo para o Brasil indicam que o ritmo de recuperação do País após a crise provocada pela pandemia de covid-19 ainda estará moderado no fim deste ano, com queda de 4,7% no PIB do quarto trimestre na comparação com o mesmo período de 2019. No encerramento de 2021, a velocidade do nível de atividade estará maior segundo o Fundo, com avanço de 1,7% no PIB entre outubro e dezembro ante os mesmos meses de 2020.

O documento faz poucos comentários sobre o cenário econômico do Brasil e concentra-se em alguns indicadores. O Fundo apontou que pesquisas realizadas com dirigentes de empresas no País destacaram incremento da produção em julho e agosto, mas não aponta os motivos que levaram a tais resultados.

Para o IPCA, o índice oficial de preços, o Fundo Monetário Internacional projeta alta de 2% para 2020 ano e de 2,9% no encerramento de 2021.

O FMI ressalta que as suas suposições sobre a gestão da política monetária pelo Banco Central são "consistentes com gradual convergência da inflação ao centro da meta".

Em relação às transações correntes, o Fundo estima que o Brasil terá um leve superávit de 0,3% do PIB neste ano e o indicador ficará estável em 2021 com o processo de recuperação da economia. Para 2025, o FMI projeta que o país registrará um saldo negativo das contas correntes de 0,7% do produto interno bruto.

O FMI ressaltou que em suas projeções fiscais para o médio prazo relacionadas ao Brasil está sendo considerado o cumprimento do teto de gastos federais.

Atividade econômica no mundo

No documento divulgado nesta terça, o Fundo destaca que os países mais ricos devem apresentar uma retração do PIB de 5,8% neste ano, número inferior à queda de 8,1% projetada anteriormente. Em 2021, a previsão de alta foi reduzida de 4,8% para 3,9%.

Para os mercados emergentes, ocorreu uma pequena piora da previsão do PIB de -3,1% para -3,3% em 2020, pois esses países enfrentam maiores dificuldades para financiar o aumento de despesas públicas, inclusive na área de saúde pública. Contudo, o Fundo melhorou um pouco a estimativa de expansão desse conjunto de nações em 2021, de 5,8% para 6,0%.

Depois da recuperação da economia global em 2021, o FMI apontou que o crescimento mundial atingirá 3,5% em 2025, com "limitado" avanço em economias avançadas e países emergentes para atingir níveis de crescimento registrados antes do coronavírus. "É também um grave retrocesso para as projeções de melhora do padrão de vida em todos os grupos de países", apontou o Fundo. "A pandemia reverterá o progresso registrado nos anos 1990 para reduzir a pobreza global e elevará a desigualdade."

Com uma redução da estimativa de queda do PIB global em 2020, o FMI diminuiu a projeção de retração do comércio mundial de mercadorias e serviços, em volume, de -11,9% para -10,4% para este ano. A previsão para 2021 aumentou de 8,0% para 8,3%.

O FMI diminuiu a estimativa de retração do PIB dos EUA de -8,0% para -4,3% neste ano, o que contou em grande medida com o apoio fiscal de US$ 3 trilhões e ações do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para ajudar na recuperação, como a redução dos juros para perto de zero em março e a adoção de um programa de relaxamento quantitativo, com a compra de títulos do Tesouro americano e de ativos financeiros atrelados a hipotecas de imóveis. Para 2021, a previsão de crescimento da economia americana foi reduzida de 4,5% para 3,1%.

Em relação à China, o Fundo avaliou que a retomada está ocorrendo de forma mais rápida do que o previsto e elevou a estimativa de expansão do país de 1,0% para 1,9% em 2020. Em relação ao próximo ano, foi mantida a estimativa de crescimento de 8,2%.

No caso da zona do euro, medidas fiscais e monetárias também colaboraram para reduzir a elevada magnitude da recessão neste ano, o que levou o FMI a alterar a previsão para o PIB da região de -10,2% para -8,3% em 2020. A projeção para 2021 baixou de 6,0% para 5,2%. Para o Japão, o Fundo também melhoro sua estimativa para este ano, de -5,8% para -5,3%, e reduziu um pouco para 2021, de um incremento de 2,4% para 2,3%.

Cenários de recuperação

O Fundo Monetário Internacional traçou dois cenários para a evolução da economia mundial nos próximos anos com as perspectivas de combate à pandemia do coronavírus.

No cenário mais pessimista, marcado por maior dificuldade do que o esperado para enfrentar a covid-19 em termos globais, o PIB mundial seria quase 0,75 ponto porcentual menor do que a previsão de queda de 4,4% para 2020, enquanto para 2021 a projeção atual de alta de 5,2% cairia quase 3 pontos porcentuais.

Algumas suposições estão contidas nesse cenário mais negativo do FMI, como o aumento no segundo semestre de 2020 da adoção por diversos países de medidas para conter a disseminação da doença. “Além do mais, é assumido que será menor o progresso em 2021 em todas as frentes para atacar o vírus”, o que inclui descoberta de vacinas, tratamentos para pessoas contaminadas e adesão do público para medidas importantes, como distanciamento social.

No cenário mais otimista do Fundo são consideradas melhoras sensíveis no combate internacional ao coronavírus. Com o bom desempenho de tratamentos para a covid-19, o número de mortes será reduzido de forma expressiva, o que reduzirá o temor das pessoas com a enfermidade e ajudará a acelerar o processo de retomada de confiança de cidadãos e de empresas.

Para o FMI, esse cenário destaca que haverá uma produção mais rápida do que o esperado de vacinas contra a covid-19, especialmente com elevados investimentos e acordos internacionais de cooperação para torná-la disponível de forma ampla em nível global.

Nesse contexto, o crescimento mundial no próximo ano seria maior em quase 0,5 ponto porcentual do que o previsto e chegaria a ser mais elevado em 1 ponto porcentual em 2023, embora o Fundo não tenha divulgado sua previsão para aquele ano. A instituição multilateral aponta que a expansão global ficará mais moderada em 2024 e em 2025 a alta do PIB mundial será "um pouco menor" do que o crescimento de 3,5% estimado atualmente.

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