Lee Jae Won/Reuters
Lee Jae Won/Reuters

Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Bolsa fecha com queda de 1,8% após nova baixa em Nova York; dólar fica a R$ 5,37

Nova queda do mercado acionário americano e aversão aos riscos vinda do exterior derrubaram o Ibovespa, que caiu ao patamar dos 98 mil pontos

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 10h26

Em mais uma rodada de queda generalizada das ações do setor de tecnologia no mercado acionário de Nova York, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, seguiu a mesma tendência e encerrou a sexta-feira, 18, com baixa de 1,81%, aos 98.289,71 pontos, devolvendo os ganhos da semana. O dólar também foi afetado pelo clima de aversão aos riscos vindo do exterior e fechou com queda de 2,79%, a R$ 5,3776.

No exterior, a semana chega ao fim em tom de decepção, com a falta de novas iniciativas na política monetária das maiores economias, especialmente nos EUA, e os sinais de retomada da covid-19, particularmente neste verão europeu, o que contribui para mitigar o entusiasmo quanto aos sinais de recuperação da atividade no Hemisfério Norte.

"O viés é negativo: o Ibovespa parece mais perto de se direcionar aos 96 mil pontos no curto prazo do que de voltar a testar os 103 mil, uma região de 'ursos' defendendo posição. Ainda temos uma correção normal, como no exterior, com a diferença de que lá fora andou bem mais. Aqui as incertezas fiscais e políticas continuam pesando, assim como a falta de reação das ações de bancos", aponta Márcio Gomes, analista da Necton.

Na sessão de hoje, o índice tocou máxima de 100.101,91 pontos, saindo de 100.097,73 pontos na abertura e chegando, na mínima, aos 98.044,81. As perdas se intensificaram a medida que os mercados acionários de Nova York aceleravam as perdas. Hoje, Dow Jones caiu 0,88%, o S&P 500 recuou 1,12% e o Nasdaq teve baixa de 1,07%.

Às 16h19, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, recuava 1,81%, aos 98.267,19 pontos. Em Nova York, o Dow Jones perdia 0,84%%, o S&P 500 cedia 1,19% e o Nasdaq tinha baixa de 1,35%. Já o dólar à vista subia 2,65% em nova máxima para o dia, cotado a R$ 5,3732. Oracle cedeu 0,70%, após o governo americano anunciar restrições aos aplicativos chineses TikTok e WeChat, que entram em vigor no domingo, ainda sem uma decisão de Trump sobre o possível negócio entre a empresa e o primeiro deles.

A escalada do dólar na sessão de hoje contribuiu para colocar a exportadora Suzano, com ganho de 2,10% na face positiva do Ibovespa, acompanhada apenas por Raia Drogasil, com 1,29% e Magazine Luiza, com 0,07%). No lado oposto, Cielo puxou a fila, em baixa de 6,58%, seguida por Lojas Renner, com 4,97%, BTG, também com 4,97% e IRB, com 4,91%. Entre as ações de maior peso, perdas de 2,57% para o Santander.

Petrobrás Pn e On caíram 2,26% e 2,23% cada, em resposta ao sinal misto vindo dos contratos de petróleo no exterior - hoje, o WTI para novembro, contrato mais líquido, fechou em alta de 0,24%, em US$ 41,32 o barril. Já o Brent para o mesmo mês recuou 0,35%, a US$ 43,15 o barril. Com os resultados de hoje, a Bolsa fecha a semana com queda de 0,07%, acumulando perdas pela terceira consecutiva, após as baixas de 2,84% e de 0,88% nas duas anteriores. No mês, ela agora cai a 1,09%, enquanto cede 15,01% no ano.

Câmbio

A fuga de ativos de risco no exterior e fatores técnicos no Brasil provocaram forte piora do câmbio hoje, com o dólar chegando a bater em R$ 5,37, na maior alta diária desde 24 de junho. Em dia de baixa liquidez e com agenda esvaziada de eventos e indicadores, o dólar operou com valorização durante toda a sessão, revertendo a queda acumulada na semana. Novos indícios de piora da relação entre Estados Unidos e Pequim, aumento de casos de coronavírus na Europa e ainda preocupações com a retomada da atividade econômica americana ajudaram a pressionar as bolsas e as moedas de emergentes.

O real foi novamente a moeda com pior desempenho ante o dólar, considerando uma cesta de 34 divisas mais líquidas. Traders relatam que as crescentes preocupações fiscais com o Brasil ajudam a enfraquecer mais a moeda brasileira na comparação com seus pares. Enquanto o dólar subiu 2,79% no mercado doméstico, para R$ 5,3776, avançou 1,1% no México, 0,81% na África do Sul e 0,88% no Chile.

Nesse ambiente, o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-País, ampliou o ritmo de alta e bateu em 207 pontos na tarde de hoje, de 199 pontos do fechamento de ontem, de acordo com cotações da IHS Markit. No começo do mês, o CDS caiu para 195 pontos, testando os menores níveis desde março, mas o aumento do ruído entre o presidente Jair Bolsonaro e a equipe econômica ajudou a pressionar as taxas.

Nesse contexto de aversão aos riscos, o ouro fechou o pregão desta sexta-feira em alta de 0,63%, a US$ 1.962,10 a onça-troy, apoiado pela busca por segurança no mercado. Ainda hoje, o dólar para outubro encerrou com alta de 2,91%, a R$ 5,3930.

Bolsas do exterior

As bolsas asiáticas aproveitaram a sexta para recuperar algumas das perdas da semana, mas os ganhos foram limitados pela falta de indicadores novos. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 2,07% e 1,51% cada, enquanto o japonês Nikkei subiu 0,18% e o sul-coreano Kospi se valorizou 0,26%. Já o Hang Seng avançou 0,47% em Hong Kong e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, com alta de 0,02%. A bolsa australiana caiu 0,32%.

Na Europa, porém o dia foi de perdas, mediante a possibilidade de uma nova onda de casos da covid-19 no velho continente. Hoje, o Stoxx 600 fechou em baixa de 0,66%, enquanto a bolsa de Londres caiu 0,71%, a de Paris recuou 1,22% e a de Frankfurt perdeu 1,22%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 1,09%, 2,21% e 0,80% cada./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.