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Com interesses próprios, empresas defendem Brasil na OMC

Representantes das maiores empresas norte-americanas, como Boeing, Caterpillar, PepsiCo, Pfeizer, CitiGroup e General Electrics, defendem uma mudança completa na estratégia diplomática do Brasil para que o País consiga a liberalização agrícola a partir de 2005 na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o grupo, que esteve em Genebra durante a semana para fazer lobby, se o Brasil aceitar um avanço nas negociações para a liberalização de bens industriais na OMC, a negociação para a abertura do mercado agrícola poderá ser facilitada. O problema é que, desde o início das negociações da Rodada da OMC, em 2001, a posição brasileira não poderia ser mais clara: somente vai concordar em abrir setores como os de serviços e de bens industriais se houver uma substancial redução do protecionismo no setor agrícola. A visita do grupo de empresas à Genebra foi organizada pelo Conselho Nacional de Comércio Exterior, entidade que reúne o setor privado dos Estados Unidos para debater estratégias internacionais. O grupo realizou reuniões com vários países e dedicou parte de sua agenda a um encontro com os representantes do Itamaraty. Apoio das empresas é justificado por interesses própriosA idéia das companhias foi mostrar ao Brasil e a outros países em desenvolvimento que esses governos poderiam se beneficiar se o grupo de multinacionais pressionasse a Casa Branca e Bruxelas para que cedessem no protecionismo agrícola. "Gostaríamos que o Brasil e outros nos vissem como aliados nessa questão", afirmou uma representante do Conselho. De fato, essas mesmas empresas, juntamente com coorporações da Alemanha e Inglaterra, enviaram cartas à Comissão Européia e ao governo de George W. Bush para pedir que o debate agrícola, hoje paralisado na OMC, voltasse a caminhar. A OMC tem até o final do próximo ano para conseguir finalizar um acordo, mas por enquanto, não existe perspectiva de que a União Européia e outros países desenvolvidos aceitem uma redução do protecionismo. O motivo de tanto interesse dessas empresas pelas negociações agrícolas é claro: elas sabem que se não houver uma liberalização do setor, seus objetivos de conseguir maior acesso a mercados para seus produtos estarão seriamente comprometidos. "Sabemos que, sem agricultura, não haverá negociações e entendemos que essa é a oportunidade que alguns países têm para conseguir a abertura dos mercados agrícolas. Mas acreditamos que se avançarmos nas negociações de bens industriais, o debate sobre agricultura poderá ser facilitado", afirmou um representante da Mars, uma das maiores fabricantes de chocolate do mundo.

Agencia Estado,

22 de maio de 2003 | 15h45

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