Fabio Motta/ Estadão
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Com investimento baixo e trabalho informal, produtividade cai 1%, diz FGV

Estudo que aponta comportamento incomum no ano passado será apresentado em evento em São Paulo

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2020 | 11h48

RIO - A economia vai mal não só porque está praticamente estagnada nos últimos três anos, com crescimento anual próximo de 1,0% ao ano, desde que saiu da recessão, mas também porque a produtividade do trabalho encolheu 1,0% em 2019, após ficar estagnada em 2018, com alta de 0,1%, mostra um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtido com exclusividade pelo Estado.

A queda é surpreendente. Em condições normais, quando uma economia cresce e gera empregos - situação que, apesar da lentidão, vem ocorrendo no Brasil -, a produtividade avança. “Não temos recessão. Cair a produtividade com a economia crescendo é estranho”, disse Silvia Matos, pesquisadora do Ibre/FGV e coautora do estudo, ao lado de Fernando Veloso e Paulo Peruchetti, que será apresentado nesta sexta-feira, 6, em São Paulo, durante o seminário Perspectivas 2020, organizado pelo Ibre/FGV em parceria com o Estado.

A queda da produtividade é incomum porque, com o crescimento econômico e dos empregos, há também mais investimentos em inovação, equipamentos, capacitação. Assim, cada trabalhador consegue produzir mais com menos horas trabalhadas, e a produtividade aumenta.

Para a economista, o comportamento incomum da produtividade do trabalho ano passado pode ser explicado pela lentidão da retomada dos investimentos, que cresceram em 2019, mas caíram 3,3% no quarto trimestre ante o terceiro, e a elevada informalidade no mercado de trabalho, somados à “secular” baixa produtividade do Brasil, forjada pela baixa qualidade da formação educacional e da qualificação técnica dos trabalhadores e pelo ambiente de negócios hostil.

Levantamento da FGV feito no fim do ano passado corroborou a hipótese de que a informalidade impulsionou a atípica queda da produtividade em 2019, ao mostrar que pessoas que estavam desempregadas ou que nem procuravam emprego no segundo trimestre de 2018 entraram para a informalidade em 2019 ganhando menos do que trabalhadores informais que já estavam em atividade - pagar um salário menor é característica típica de ocupações pouco produtivas. Além disso, o trabalho informal sinaliza crescimento da economia informal, que é menos produtiva. De acordo com Matos, outro estudo da FGV estimou que a economia formal é quatro vezes mais produtiva do que a informal.

O cálculo da produtividade leva em conta o valor adicionado, usado para medir o Produto Interno Bruto (PIB, conta de todo valor gerado na economia), e o total de horas trabalhadas. O valor adicionado sobe e desce em função do ritmo da economia. As horas trabalhadas aumentam ou diminuem tanto conforme a quantidade de trabalhadores (mais gente trabalhando aumenta o total de horas) quanto em função do quanto cada pessoa trabalha (a quantidade de gente trabalhando pode ser a mesma, mas o total de horas cresce se cada pessoa trabalhar mais).

Ano passado, com a alta de 1,1% no PIB, como informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira, 4, o valor adicionado cresceu também 1,1%. Com a melhoria gradual do mercado de trabalho, as horas trabalhadas avançaram 2,1% em 2019, quase o dobro da alta de 2018, de 1,2%. Como, mesmo com mais horas trabalhadas, a produção não aumenta no mesmo ritmo, a produtividade cai.

“É muito limão para pouca limonada”, afirmou Matos.

O Ibre/FGV tem publicado seus cálculos no site Observatório da Produtividade.

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