Com juro baixo, investidor pode ter de sair da 'zona de conforto' em 2013

Na avaliação de especialistas, para elevar ganhos, será preciso aumentar o montante aplicado ou buscar alternativas de maior risco

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h02

O ano de 2012 foi o de maior mudança para o investidor desde o início do Plano Real, em 1994. De janeiro a dezembro, a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira caiu quase quatro pontos porcentuais, para o piso histórico de 7,25% ao ano. Não teve jeito: o ganho fácil com aplicações financeiras da época do juro alto ficou para trás. Em pouco tempo, o brasileiro teve de começar a se preocupar com ganho real (rendimento acima da inflação), tributação incidente nos investimentos e prazo das aplicações.

Essa nova realidade significa uma alteração muito grande no dia a dia do investidor. Uma pessoa de 45 anos que planeja acumular R$ 1 milhão até os 65 anos deveria investir R$ 2.700 por mês com o juro real médio de 4% ao ano. Hoje, com o juro real próximo de 1%, ele deve aplicar mensalmente cerca de R$ 3.700 para o mesmo objetivo.

A mudança no cenário de investimento afetou até a poupança, investimento mais popular do Brasil. As aplicações feitas a partir de 3 de maio passaram a ter um rendimento de 70% da Selic. O montante aplicado antes disso mantém a rentabilidade de 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial (TR).

Ao que tudo indica, a taxa básica de juros deve permanecer baixa em 2013, segundo a avaliação de analistas, principalmente porque a economia brasileira está demorando a reagir. E os investidores têm duas opções: ou aumentam o montante destinado para aplicação ou correm mais risco para buscar uma rentabilidade maior.

"Não dá mais para ficar na zona de conforto", afirma Sinara Polycarpo, superintendente de investimento do Banco Santander. "O investidor tem de estudar e pesquisar mais. É preciso assumir esse protagonismo com os investimentos. O dinheiro é dele e é muito esforço guardar uma quantia por mês." Os prazos também terão de ser alongados para aumentar a rentabilidade.

Mercado. Essa mudança no perfil dos investimentos não significa que o brasileiro já reviu suas posições. A poupança continua com a captação em alta - em novembro, o saldo era de R$ 484,9 bilhões, segundo o Banco Central. Na indústria de fundos, boa parte dos recursos ainda está aplicada na renda fixa e no DI, aplicações mais influenciadas pela redução dos juros básicos.

A despeito do conservadorismo brasileiro com as aplicações, o mercado financeiro tem se movimentado.

O Estado consultou especialistas sobre os novos investimentos que devem se popularizar no mercado. Entre as apostas, estão as aplicações isentas de imposto de renda, como a Letra de Crédito Imobiliário, os fundos imobiliários e as debêntures.

A retomada da Bolsa de Valores em dezembro também faz com que a aplicação volte a ganhar espaço na recomendação dos gestores.

"O próximo boom no Brasil deve ser no mercado de investimentos. Pouca gente compra produtos financeiros. Estamos falando em aproximadamente 40 milhões de pessoas que têm algum produto financeiro, o que é muito pouco para uma população de 200 milhões", afirma Rossano Oltramari, analista chefe da XP Investimentos.

Diversificação. O que ainda vale é a orientação para que o investidor diversifique as aplicações e não aposte em somente um ativo.

"O investidor não deve colocar todos os seus ovos na mesma cesta. Quando ele quer correr algum risco e dependendo do perfil, por exemplo, pode deixar 70% do dinheiro em investimentos conservadores, 20% em produtos moderados e 10% em alguns produtos de risco", afirma Marcos Daré, diretor da área de investimentos do Bradesco.

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