Com juro baixo, investidor terá de aceitar mais risco

O rendimento em renda fixa caiu muito. É hora de comprar ações? Se sim, como escolher?

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2012 | 03h08

Com a queda da taxa de juros, obter boa rentabilidade não será mais possível somente investindo em ativos com baixo grau de risco. O investidor brasileiro terá que pensar em investimentos com prazos mais longos e aceitar correr mais riscos e terá de considerar opções de renda variável. Isto não quer dizer que todos podem sair aplicando em carteiras de ações próprias sem ter nenhum conhecimento sobre o mercado. Para os iniciantes nesse mercado é adequado começar aplicando em fundos de investimento, como os multimercado ou mesmo os fundos de ações. Uma opção interessante é aplicar em fundos negociados na Bolsa (veja infográfico), que replicam algum índice de ações. Caso prefira comprar ações diretamente, uma boa opção são os papéis que pagam bons dividendos.

Como o rendimento das aplicações caiu, é melhor gastar do que poupar?

Este conceito está errado. Não é porque as aplicações financeiras estão rendendo pouco que nós vamos sair gastando em vez de poupar. Gerar poupança é essencial para nossa vida. Nós precisamos ter dinheiro guardado para consumir com prazer e estarmos bem no momento de nossa aposentadoria, ou seja, termos dinheiro fora do campo do trabalho. O que quero dizer é que para gastar temos que ter dinheiro para isso. Consumir é um ato que traz prazer, mas somente se houver como pagar por esse consumo. Além disso, temos de ter algum grau de poupança para as emergências, que nem sempre são ruins. Às vezes surgem situações não esperadas que são boas, mas que exigem um gasto não previsto nas nossas contas. Pode ser uma viagem, filhos que não estão planejados, entre outras situações.

Os imóveis subiram muito. É melhor esperar para comprar?

Caso você possa esperar mais um pouco será melhor. O mercado está num momento interessante porque os preços em geral ainda sobem, mas a demanda está começando a diminuir. Os preços dos imóveis subiram muito nos últimos anos, mas os indicadores de mercado desde 2011 têm mostrado que o crescimento desses preços tem desacelerado e em algumas regiões até se revertido. O fato é que o poder aquisitivo não está permitindo que os compradores aceitem fechar negócio a qualquer preço. Algumas notícias dão conta que nas negociações de maior valor estão ocorrendo desconto de até 15%. Temos visto que as incorporadores têm feito uma sequência de promoções e oferecido brindes para quem aproveitar algumas ofertas, o que mostra que o mercado de imóveis não está tão favorável para o vendedor como estava há um ano. O índice FipeZap, para comercialização de imóveis em todo Brasil, embora tenha acusado a evolução de preços em julho de 17,1%, mostra que é a 11ª vez seguida em que este indicador perde força. Em São Paulo o preço dos imóveis nos últimos 36 meses cresceu quase 36%, mas o mesmo índice mostra que algumas áreas da capital já apresentam redução do valor do metro quadrado. Voltando na questão, aproveite o momento para pesquisar bastante os imóveis de seu interesse e aumente a sua sensibilidade sobre esses preços, caso apareça algo muito interessante faça uma oferta que seja boa para você, mas não tenha pressa para fechar o negócio.

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