Com juro baixo, mais fundos cortam taxa de administração

Levantamento da Anbima mostra que 28 fundos cortaram a taxa até setembro; em 2011, foram 12 reduções

Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S. Paulo,

27 de novembro de 2012 | 22h22

SÃO PAULO - Na esteira da redução da Selic, a indústria de fundos acelerou o corte na taxa de administração este ano. Um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) mostra que 28 fundos reduziram as taxas até setembro. Em 2011, 12 fundos tiveram quedas nas taxas.

Os fundos das quatro categorias (referenciado DI, renda fixa, multimercado e ações) contemplados pelos cortes nas taxas de administração têm patrimônio líquido de R$ 12 bilhões. No ano passado, a redução englobou R$ 1 bilhão em patrimônio (veja mais ao lado).

Apesar do ritmo maior na redução das taxas, ainda há espaço para mais cortes, dizem especialistas. No varejo, por exemplo, existem 686 fundos e somente o patrimônio líquido dos fundos de renda fixa é de R$ 153 bilhões, mostra a Anbima. Nos fundos com referenciado DI, o patrimônio é de R$ 107 bilhões. Na sequência, aparecem os fundos de ações (R$ 22,9 bilhões), seguidos pelos fundos multimercados (R$ 19,9 bilhões).

"Houve um ajuste importante da indústria de fundos para esse nível que se encontra a taxa de juros. Obviamente, na medida em que ocorram mais cortes nas taxas de juros, é natural que a indústria reveja seus preços para manter competitividade", diz Carlos Massaru, vice-presidente da Anbima. Ele ressalta que a redução das taxas já é uma prática de anos da indústria de fundos.

Se a manutenção da Selic em 7,25% for confirmada nos próximos meses, a tendência é de que a taxa de administração permaneça estável nos produtos mais afetados pela Selic.

"O fenômeno que a gente deve experimentar é o do bônus demográfico. Hoje, há um boom do consumo do crédito, mas aos poucos o consumo mais planejado vai ocorrendo e, com isso, há uma oportunidade para a indústria de fundos. Dessa forma, os preços vão poder estar vinculados não só a fatores macroeconômicos, mas também com aspectos concorrenciais", diz.

De acordo com o vice-presidente da Anbima, por causa da mudanças no mercado de investimento no País, também será cada vez mais necessária uma boa formação dos profissionais gestores e também dos investidores. "Os investidores também terão de ter educação financeira, conhecimento e planejamento financeiro para poder fazer melhor as suas aplicações", afirma.

Tíquete

O cenário de juros baixos também forçou com que a indústria de fundos reduzisse o tíquete inicial para aplicação. Este ano, de acordo com a Anbima, 62 fundos diminuíram o tíquete inicial - houve cinco elevações. No ano passado, a redução englobou 14 fundos. O total do patrimônio líquido dos fundo com tíquetes reduzidos chega é a quase R$ 72 bilhões.

Concorrência

A indústria de fundos tem se movimentado mais este ano para fazer frente às seguidas quedas da taxa Selic que acabam tirando a atratividade da aplicação. Não à toa as categorias que mais reduziram as taxas de administração e os tíquetes para aplicação foram os fundos de renda fixa e referenciado DI.

Um levantamento da própria Anefac mostra a perda de competitividade dos fundos da renda fixa na comparação com a poupança. A poupança antiga - cujo o rendimento está garantido em 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial (TR) - é mais vantajoso do que todos os fundos de renda de renda fixa. Já a nova poupança - com variação de 70% da Selic - bate a maioria dos fundos com taxa de administração superior a 1,5%.

"Alguns fundos ainda mantêm a taxas de administração no mesmo patamar de quando a Selic estava em 12% ao ano", afirma Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Na avaliação dele, a taxa Selic deve permanecer em 7,25% ao ano por um "bom tempo" e a indústria de fundos ainda terá gordura para cortar as taxas de administração.

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