Com juro baixo, mais fundos cortam taxa de administração

Levantamento da Anbima mostra que 28 fundos cortaram a taxa até setembro; em 2011, foram 12 reduções

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h04

Na esteira da redução da Selic, a indústria de fundos acelerou o corte na taxa de administração este ano. Um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) mostra que 28 fundos do varejo reduziram as taxas até setembro. Em 2011, 12 fundos tiveram quedas nas taxas.

Os fundos das quatro categorias (referenciado DI, renda fixa, multimercado e ações) contemplados pelos cortes nas taxas de administração têm patrimônio líquido de R$ 12 bilhões.

No ano passado, a redução englobou R$ 1 bilhão em patrimônio (veja mais ao lado).

Apesar do ritmo maior na redução das taxas, ainda há espaço para mais cortes, afirmam especialistas. No varejo, por exemplo, existem 686 fundos e somente o patrimônio líquido dos fundos de renda fixa é de R$ 153 bilhões, mostra a Anbima.

Nos fundos com referenciado DI, o patrimônio é de R$ 107 bilhões. Na sequência, estão os fundos de ações (R$ 22,9 bilhões), seguidos pelos fundos multimercados (R$ 19,9 bilhões).

"Houve um ajuste importante da indústria de fundos para esse nível que se encontra a taxa de juros. Obviamente, na medida em que ocorram mais cortes nas taxas de juros, é natural que a indústria reveja seus preços para manter competitividade", diz Carlos Massaru, vice-presidente da Anbima. Ele ressalta que a redução das taxas já é uma prática de anos da indústria de fundos.

Se a manutenção da Selic em 7,25% for confirmada nos próximos meses, a tendência é de que a taxa de administração permaneça estável nos produtos mais afetados pela Selic.

"O fenômeno que a gente deve experimentar é o do bônus demográfico. Hoje, há um boom do consumo do crédito, mas aos poucos o consumo mais planejado vai ocorrendo e, com isso, há uma oportunidade para a indústria de fundos. Dessa forma, os preços vão poder estar vinculados não só a fatores macroeconômicos, mas também com aspectos concorrenciais", diz.

Tíquete inicial. O cenário de juros baixos também forçou com que a indústria de fundos reduzisse o valor inicial para aplicação. Este ano, de acordo com a Anbima, 62 fundos diminuíram o tíquete inicial - houve cinco elevações. No ano passado, a redução englobou 14 fundos. O total do patrimônio líquido dos fundo com tíquetes reduzidos chega é a quase R$ 72 bilhões.

De acordo com o vice-presidente da Anbima, por causa da mudanças no cenário de investimento no País, também será cada vez mais necessária uma boa formação dos profissionais gestores e também dos investidores. "Os investidores também terão de ter educação financeira, conhecimento e planejamento financeiro para poder fazer melhor as suas aplicações", afirma Massaru.

Concorrência. A indústria de fundos tem se movimentado mais este ano para fazer frente às seguidas quedas da taxa Selic que acabam tirando a atratividade da aplicação. Não à toa as categorias que mais reduziram as taxas de administração e os tíquetes para aplicação foram os fundos de renda fixa e referenciado DI.

Um levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra a perda de competitividade dos fundos da renda fixa na comparação com a poupança. A poupança antiga - cujo o rendimento está garantido em 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial (TR) - é mais vantajoso do que todos os fundos de renda de renda fixa. Já a nova poupança - com variação de 70% da Selic - bate a maioria dos fundos com taxa de administração superior a 1,5%.

"Alguns fundos ainda mantêm a taxas de administração no mesmo patamar de quando a Selic estava em 12% ao ano", afirma Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac.

Na avaliação dele, a taxa Selic deve permanecer em 7,25% ao ano por um "bom tempo" e a indústria de fundos ainda terá gordura para cortar as taxas de administração.

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