Com juro menor nos EUA, Bovespa fecha na máxima

Com o desempenho de hoje, a queda acumulada em janeiro e 2008 foi reduzida a -5,63%

Agência Estado,

30 de janeiro de 2008 | 18h25

Os investidores passaram o dia à espera da decisão do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) sobre um novo corte de juro. A aposta majoritária se confirmou. O Fed reduziu o juro anual em 0,5 ponto porcentual - de 3,5% para 3% ao ano. Com isso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) retomou o patamar de 60 mil pontos e fechou na máxima, em 60.289 pontos, em alta de 1,28%. Com o desempenho de hoje, a queda acumulada em janeiro e 2008 foi reduzida a -5,63%. O volume financeiro hoje foi mais fraco e somou R$ 5,143 bilhões (preliminar). Às 18h21, o Dow Jones subia 0,96%, o S&P evoluía 0,94% e o Nasdaq tinha ganhos de 1,06%.  De acordo com comunicado divulgado ao final da reunião, a desaceleração é um risco para a economia do país. Além disso, o BC disse que os mercados estão sob um "estresse considerável" e que agirá quando necessário para lidar com os riscos. Esta é a segunda redução do juro promovida pelo Fed em menos de dez dias. Na semana passada, em uma decisão inesperada, o banco central norte-americano reduziu a taxa em 0,75 ponto porcentual - de 4,25% ao ano para 3,5% ao ano. Com mais este corte de hoje, a taxa básica já caiu 1,25 ponto porcentual. Após o anúncio do Fed, as taxas futuras já projetavam mais um corte de 0,25 ponto porcentual na reunião de março. A decisão desta quarta-feira não foi unânime. Um dos membros do Fed votou pela manutenção do juro em 3,5% ao ano. O placar final, portanto, foi de 9 votos a 1 pelo corte de juro. O comunicado do BC americano destaca ainda a preocupação com os índices de inflação. Riscos de recessão As recentes decisões do Fed têm por objetivo evitar uma desaceleração mais forte da economia norte-americana. Além de decisões mais agressivas na política monetária, o governo do país pretende implantar um plano de ajuda - com distribuição de recursos e corte de gastos - no valor aproximado de US$ 150 bilhões. O pacote anunciado pelo presidente George W. Bush já foi aprovado pela Câmara e segue agora para o Senado. A dúvida que paira entre os investidores, no entanto, é se todas estas medidas serão suficientes para estabilizar a economia dos Estados Unidos. Dados conflitantes também deixam dúvidas sobre a real situação do país. Hoje, por exemplo, o Produto interno Bruto (PIB) mostrou desaceleração no quarto trimestre e terminou 2007 com a menor expansão anual em cinco anos. Por outro lado, houve aumento acima do previsto no número de vagas criadas no setor privado em janeiro. Apesar de mostrarem períodos diferentes, o que salta aos olhos, tomando por base vários números da economia norte-americana divulgados nos últimos dias, são sinais conflitantes sobre a tendência para a atividade econômica nos Estados Unidos.

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