Com lucro 67% maior no 1o tri, BB vê competição maior

O lucro do Banco do Brasil, maiorinstituição financeira do país, saltou 67 por cento no primeirotrimestre sobre igual período do ano passado, impulsionado porexpansão da carteira de crédito e itens extraordinários. O resultado foi obtido em um momento de aumento dacompetição gerada pela união Santander/Real e pela chegada denovos concorrentes, como o mexicano Azteca, que em julhopassado recebeu autorização do Banco Central para operar nopaís. Esse aumento da competição contribuiu para o BB reduzir suaprojeção de crescimento de receitas com tarifas de 12 para oitopor cento este ano, afirmou em teleconferência ovice-presidente de finanças do banco, Aldo Luiz Mendes. As receitas com prestação de serviços somaram 2,57 bilhõesde reais no primeiro trimestre, avançando 8 por cento sobreigual período do ano passado, mas recuando 0,9 por cento sobreo quarto trimestre de 2007. E a rivalidade acontece em um momento em que cai adiferença entre o que o banco paga para captar recursos e o quecobra dos clientes, o chamado "spread", que recuou de 8,1 porcento há um ano para 7,2 por cento no primeiro trimestre. "A competição está aumentando consideravelmente. A reduçãode tarifas é muito mais um movimento de defesa", disse oexecutivo. "O Azteca é um potencial competidor sim. Já união doSantander com o Real é uma coisa que realmente apresenta umacréscimo na competição, ainda mais considerando a posturasempre muito agressiva do Santander desde que chegou noBrasil", afirmou Mendes. Apesar do aumento da competição, o BB conseguiu melhorarindicadores operacionais. O retorno sobre patrimônio líquidomédio anualizado (ROE, na sigla em inglês), importante índicede rentabilidade de um banco, foi de 43,5 por cento nos trêsprimeiros meses deste ano, contra 29,4 por cento um ano antes.E o índice de eficiência operacional variou de 44,1 para 41,4por cento (nesse caso, quanto menor, melhor). Segundo Mendes, a instituição tem uma folga de cerca de 10por cento entre o volume de depósitos e empréstimos, mas essadiferença tende a acabar nos próximos meses. "Continuo vendoaquecimento na demanda por crédito. Isso é bom porque mostraque o nível de negócio novos está aumentando e vamos ter quebuscar novas fontes de funding mais para frente, mas nãoagora", afirmou o executivo. CRÉDITO EM EXPANSÃO O lucro do BB no primeiro trimestre foi de 2,3 bilhões dereais, ante 1,4 bilhão de reais nos três primeiros meses de2007, apoiado no aumento da carteira de crédito e impulsionadopor efeito positivo extraordinário de 789 milhões de reais,gerado por venda de participação na Visa International e ganhoscontábeis e tributários. A carteira de crédito avançou 23,1 por cento no período,para 172,76 bilhões de reais, e a expectativa do banco para oano foi mantida em crescimento de 25 por cento sobre 2007. O crédito à pessoa física cresceu 47,5 por cento, para 38,5bilhões de reais. O destaque ficou com a carteira de veículos,com salto de 175 por cento sobre o primeiro trimestre do anopassado. As operações com cartão de crédito também tiveramforte expansão, de 100,9 por cento. "A expansão na carteira de veículos está dentro doesperado. Sim, é agressivo, mas temos meta de dobrar a carteiraeste ano", disse Mendes, acrescentando que os financiamentospara compra de automóveis devem ficar entre 6 bilhões e 7bilhões de reais em 2008. O BB calcula que possui 4 por centodo segmento no país e quer elevar esse nível para 10 por centoaté 2012. Já o crédito para agronegócio teve alta de 20,8 por cento,para 56,52 bilhões de reais. Enquanto isso, a provisão para crédito de liquidaçãoduvidosa cresceu 7,2 por cento, para 1,5 bilhão de reais. O BB encerrou março com ativos totais de 392,59 bilhões dereais, um crescimento de 22 por cento sobre março de 2007. O balanço do Banco do Brasil encerra o ciclo de resultadosdos grandes bancos do país com ações listadas na Bovespa. Antesdo BB, o Bradesco divulgou lucro 23,3 por cento maior noprimeiro trimestre, enquanto Itaú teve um ganho líquido 7,5 porcento maior e o Unibanco teve resultado positivo 27,5 por centosuperior no período.

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