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Com lucro menor, Cyrela reduz lançamentos e faz demissões

Maior incorporadora do País adota postura mais conservadora para enfrentar a crise

Chiara Quintão e Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

A desaceleração no ritmo de vendas no mercado imobiliário ficou mais clara ontem, com o anúncio do resultado financeiro da Cyrela. Com um lucro quase 20% menor no terceiro trimestre, a maior incorporadora do País avisou que vai fazer demissões, reduzir os prazos de pagamentos, suspender e adiar lançamentos neste ano. Os planos para 2009 também serão revistos. "O momento não é para heróis. Precisamos ter cautela", disse ontem o presidente da Cyrela, Elie Horn. "Resolvemos parar para ver o que vai acontecer. Não queremos ser muito agressivos neste momento."A companhia previa fazer lançamentos da ordem de R$ 7 bilhões neste ano. Com a queda na demanda por imóveis, a previsão caiu para R$ 5,25 bilhões a R$ 5,6 bilhões. A redução no número de lançamentos é só uma parte da face mais conservadora da Cyrela que agora se revela. Desde julho, a companhia já vinha comprando terrenos só por meio de permuta e sem prazos, postura adotada por boa parte das empresas do setor que tem capital aberto. Enquanto sobrava dinheiro, a permuta, um tradicional recurso de compra no setor, foi deixada de lado. Nesse período, as empresas montaram volumosos bancos de terreno com o dinheiro levantado na Bolsa. A redução dos lançamentos não surpreendeu o mercado. Desde a semana passada, quando as construtoras e incorporadoras começaram a divulgar seus balanços financeiros, essa tem sido a tônica dos resultados. Mesmo aqueles que ainda não viram reduções consideráveis no ritmo de vendas, estão adiando os lançamentos por precaução. "No caso da Cyrela, os cuidados são maiores porque os empreendimentos são enormes", diz o presidente da Tecnisa, Carlos Alberto Júlio. "Ainda não cancelamos nem postergamos empreendimentos, mas teremos um grande teste nos próximos meses." IMPREVISTOSA Tecnisa vai lançar um empreendimento em Santos com 1,5 mil unidades e preços que variam entre R$ 120 mil e R$ 240 mil. "Fizemos a pré-venda nos últimos dois meses e tivemos 5 mil reservas. Mas muita coisa mudou de lá para cá. Se 20% virar venda, já será um grande sucesso", diz Júlio. Segundo o executivo, a redução na velocidade de vendas tem sido maior nos imóveis de médio padrão, que em São Paulo variam entre R$ 350 mil e R$ 600 mil. Ontem também foi dia de Agra, Company e BR Brokers anunciarem seus resultados. A BR Brokers, que reúne uma série de imobiliárias, já adiantou que vai ser muito difícil atingir as metas de vendas de R$ 13 bilhões projetadas para o ano. Isso porque, até setembro, as vendas estavam em R$ 7,7 bilhões. Como não sabem como ficará o cenário daqui para frente, os executivos têm dificuldades para estabelecer novas metas. No caso da BR Brokers, isso é ainda mais difícil, já que ela depende dos planos das construtoras e incorporadoras. A Company decidiu manter o volume de lançamentos em R$ 1 bilhão. De janeiro a setembro, ela lançou 75% do estimado para o ano. No caso da Agra, a mudança nos planos já havia sido anunciada em outubro, quando ela decidiu reduzir consideravelmente o número de lançamentos - de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,4 bilhão. Ontem, a empresa anunciou lucro 28% maior que o registrado no mesmo trimestre do ano passado. "No caso de empresas que foram muito comedidas desde o começo, será mais fácil manter as metas e não fazer reestruturações", acredita o diretor de marketing e vendas da Klabin Segall, Paulo Porto. Em 2007, o VGV da Klabin foi de R$ 1,1 bilhão. Neste ano, é de R$ 1,4 bilhão. "Mantivemos a mesma estrutura e por isso não precisamos cortar." O resultado da Klabin foi divulgado na quinta-feira.

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