Com Lula, risco pode chegar a 6.000 pontos, diz analista

O historiador e cientista político Rosendo Fraga, alerta em tom grave, para o que poderia causar o perigo de um default do Brasil: "pode impactar em emergentes fora da América Latina, como Turquia, Filipinas, Indonésia, Egito, Rússia, Marrocos, Ucrânia e Paquistão, países que têm importância estratégica, como não a têm hoje os da América do Sul". Em sua análise exclusiva à Agência Estado, sobre os efeitos de uma possível crise no Brasil, Rosendo Fraga disse que "a história mostra que as crises escalam por erro de cálculo e o mundo pode estar cometendo hoje um com o Brasil". Ele lembra que a crise da Argentina foi "prevista, antecipada e encapsulada durante um ano e, por esta razão, não gerou contágio além dos pequenos países do Mercosul. Mas o caso do Brasil é diferente. A crise tem sido muito mais surpreendente, não estava prevista e a dimensão do país é maior", compara.O diretor do Centro de Estudos Unión para la Nueva Mayoria explicou que a crise financeira argentina contagiou somente dois países: Paraguai e Uruguai. "Os bancos, as exportações, o turismo e sobre tudo a televisão, foram as correias de transmissão aos dois países menores do Mercosul. No caso do Brasil, sua crise tem causas internas: a incerteza gerada nos mercados pelo eventual governo de Lula, o que faz com que os mercados decidam abandonar suas posições". Sua visão é contrária à de muitos analistas argentinos que têm falado sobre o contágio brasileiro da crise argentina. Uma corrente que tem ganhado ainda mais linha depois do anúncio do FMI de um novo empréstimo ao Brasil.Rosendo Fraga afirma que o Brasil não se contagiou e que seus problemas foram gerados pela sucessão presidencial e não pela crise argentina. "Se Serra estivesse ganhando nas pesquisas de opinião, o risco país de Brasil não estaria aumentando, apesar da crise argentina". No entanto, Fraga explica que diante da perspectiva de uma vitória de Lula, "a crise argentina gera um contágio do Brasil devido ao antecedente recente, já que 80% dos detentores de bônus brasileiros, são os mesmos que acabam de perder com o default argentino".JogoO cientista afirma que este fato faz com que os investidores financeiros do Brasil, se precipitem e abandonem suas posições diante do risco deste país reprogramar sua dívida ou de cair em default, como sucedeu na Argentina. "Neste caso, quem antes saiu, menos perdeu, enquanto que quem mais esperou, mais perdeu", explica Rosendo Fraga, a forma de raciocinar dos jogadores. Ele considera que a Argentina foi um antecedente negativo para a região porque "sem o caso argentino, é provável que o mercado financeiro tivesse esperado até setembro, para ver se Lula realmente ganhava ou se repetia a história das três eleições presidenciais precedentes, quando candidatos mais confiáveis economicamente, terminaram impondo-se, finalmente". Fraga pensa que agora, com história da argentina, muito recente, "cresce o temor ante a espera e a incerteza leva à que a venda de bônus se antecipe".Perda infinita com vitória de LulaPara Rosendo Fraga, o problema atual do Brasil não tem nenhum mistério. "O raciocínio é simples: se ganha Serra, o risco Brasil pode baixar de 1.200 para 900. Se, em troca, ganha Lula, o risco pode chegar a 6.000 mil pontos base como no caso argentino e então, a perda é infinita", prognóstica. "O problema central do Brasil hoje é que os mercados fogem em termos de dias e mudar a tendência eleitoral requer meses", sepulta qualquer possibilidade de que a situação possa melhorar mesmo com Lula em primeiro lugar nas pesquisas.Leia o especial

Agencia Estado,

17 de junho de 2002 | 07h49

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